Cubatão


| Tempo de leitura: 2 min

O Grupo Escolar do Cubatão funcionou, durante um certo período, no velho casarão que pertenceu ao Major Claudiano, situado atrás da atual Catedral de Nossa Senhora da Conceição. O prédio de dois andares não inspirava lá muita segurança. Tanto que, ao pressentir a chegada de uma chuva mais forte, o meu pai ia-me buscar antes do término das aulas.

Comecei a estudar antes dos 7 anos. Ao findar o primeiro semestre eu saí da escola em virtude de um beliscão que a Professora Lourdes deu me na bochecha. A Professora Lourdes Foster , mãe do meu amigo Robertinho, era uma excelente professora. Excelente e enérgica. Como eu não estava acostumado com tanta energia, recusei-me a voltar às aulas.

No ano seguinte, isto é, em 1953, retornei ao mesmo Grupo Escolar para iniciar, efetivamente, o meu processo de alfabetização. Djanira Pimentel foi a professora que, com muito carinho e competência, ensinou-me a ler, escrever e realizar as operações fundamentais da matemática.

Eu era um bom aluno: comportado, atento e cumpridor das obrigações. Porém, certa vez, fugi do meu bom comportamento por causa do rabo de cavalo da Verinha. Verinha sentava-se à minha frente. Era loirinha, rosadinha, bonitinha. Seus cabelos, presos atrás por uma goma, espanavam o ar toda vez que ela movimentava a sua cabeça. Numa dessas espanadas, eu não agüentei. Puxei os cabelos da Verinha na tentativa de acomodá-los, acalmá-los ou, simplesmente, pelo prazer de puxá-los. Verinha, imediatamente, abriu um bocão sem dentes e , chorando, foi logo reclamar para a Professora. Assustado, fiquei bem quietinho esperando um beliscão em cada bochecha. Contudo, nada disso aconteceu. Dona Djanira, como sempre meiga e pacienciosa, simplesmente transferiu-me de lugar. Fui sentar-me atrás do El, que era baixinho e tinha os cabelos bem curtos.

Não me lembro de ter praticado outra traquinagem em sala de aula . O certo é que completei o primeiro ano primário sabendo ler, escrever, somar, subtrair, dividir e multiplicar. Aprendi, também, que é preciso muito cuidado no trato com as mulheres.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários