Duas notícias inspiraram-me neste artigo. A primeira, a celebração simbólica do nascimento do bebê número 7 bilhões. A segunda, a insistência do Prefeito com a construção do viaduto.
As duas, aparentemente desconexas, retratam situações que deverão despertar a atenção dos gestores públicos quanto aos desafios que temos pela frente e que serão, cada vez mais complexos, e suas soluções demandarão mudança de postura radical em toda a sociedade.
O fato de o planeta atingir 7 bilhões de habitantes é extremamente preocupante porque não houve, em tempo algum, planejamento para suportar tamanha população. Faço, antes de continuar, uma observação necessária.
Sou totalmente a favor da vida e das pessoas terem quantos filhos quiserem. O planejamento que faço referência é aquele necessário para garantir qualidade de vida para toda a humanidade, pois o planejamento familiar, com todos os métodos anticonceptivos existentes, já é – bem ou mal – praticado pela maioria das famílias.
Minha preocupação com o tamanho da população está diretamente ligada aos graves problemas ambientais existentes em escala mundial: chuva ácida, efeito estufa, destruição da camada de ozônio, crise d’água (água doce), perda da biodiversidade em todo o mundo e, fome.
Esses problemas já se apresentam, em maior ou menor intensidade, em todas as partes do planeta e a nossa imprevidência, falta de planejamento e resistência do poder econômico e de governos mundiais têm gerado lentidão nas respostas necessárias e urgentes para o trato dessas questões.
Os governos (em todos os níveis) precisam estimular a discussão imediata em torno de temas como o modelo de desenvolvimento atual e até onde ele precisa ser reformulado para lidar com vários dos problemas que citei. O padrão de consumo da sociedade atual é desenfreado e irracional. A desigual distribuição de riqueza com concentração que tem provocado o aumento da miséria em muitas partes do mundo e o padrão tecnológico existente atualmente que consome muita energia e agrava, sobremaneira, os problemas mundiais.
Nessa linha de preocupações, entra a atitude do Prefeito em querer manter seu projeto de viaduto sem permitir que seja melhor conhecido através do seu detalhamento e de ampla discussão. Já disse antes e repito novamente, não é uma questão de ser contra (ou a favor) do projeto. É uma questão muito mais importante. E o ter certeza de que é ‘esse’ o projeto necessário para a Franca do presente e do futuro.
A intransigência do Prefeito em não abrir e facilitar a discussão é típica de um comportamento autocrático e maléfico para a democracia. Não me interessa se o projeto é dele ou do partido ‘x’ ou ‘y’. Interessa saber se é o que, realmente, precisamos, para resolver determinado (?) problema e isso só será possível depois de uma ampla discussão sem paixões entre pessoas, profissionais, organizações, entidades competentes e capacitadas. Afinal, estamos falando de um projeto orçado em R$ 8,5 milhões, um valor significativo.
Assim observo, na conexão das duas notícias, que a irresponsabilidade administrativa, a prepotência e a arrogância existem tanto nos governos de certas nações quanto nos governos de certos municípios.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.