Recentemente, uma operação conjunta da Prefeitura, das polícias Militar, Ambiental e Civil, Corpo de Bombeiros, Conseg (Conselho de Segurança Comunitária de Franca), Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), Ministério do Trabalho e Conselho Tutelar constatou várias irregularidades em 12 ferros-velhos vistoriados. Dentre estes, 75% deles foram autuados ou advertidos.
Essa iniciativa começou após diversas denúncias e reclamações que, é de se supor, vieram dos moradores que habitam nas cercanias desses depósitos. A maioria delas ligadas à receptação de produtos roubados e aos problemas ambientais causados pelo armazenamento inadequado de diversos materiais.
Agora, mais recentemente, um levantamento feito pelo Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) mostrou que 60% dos depósitos da cidade estão irregulares, sem as licenças necessárias para funcionar. A maioria deles concentrada em açougues, mercearias e até mesmo farmácias.
Essas irregularidades, tanto nos depósitos de gás como nos ferros-velhos, mostram como ainda estamos despertando para o convívio social. Talvez pela nossa recente urbanidade, tenhamos dificuldades em fazer com que boa parte da população entenda que seus direitos precisam equilibrar-se com os dos outros.
No mundo apertado das cidades, em que as pessoas se aglomeram em bairros, condomínios e prédios, é imprescindível que todos aprendam a se respeitar mutuamente e a não invadir os espaços e direitos alheios.
Colocar botijões de gás junto às paredes das casas vizinhas, por exemplo, não é apenas um desrespeito às leis vigentes, mas também uma invasão direta dos comerciantes que assim procedem contrariando o direito que esses vizinhos têm de viver em segurança, já que botijões podem explodir, danificar seus imóveis ou até mesmo causar-lhes graves ferimentos.
O mesmo pode-se dizer dos ferros-velhos. Acumular materiais das mais diversas origens de forma inadequada pode atrair insetos ou outros animais indesejáveis que invariavelmente invadirão as casas vizinhas. Esse armazenamento inadequado pode, também, transformar-se em foco de doenças ou em potencial foco de incêndio, o que seria muito ruim para quem habita em seus entornos.
Mesmo considerando que essas empresas são geralmente pequenas, administradas por pessoas simples e trabalhadoras, que lutaram muito para chegarem aonde chegaram, não se pode concordar com ações e procedimentos que desrespeitem as leis e coloquem em risco o bem-estar e a integridade de outras pessoas. A despeito dos empregos que criam, dos impostos que pagam e da importância que emprestam ao desenvolvimento da cidade, essas empresas não podem continuar trabalhando com base no ‘jeitinho brasileiro’, protelando ao máximo sua adequação às normas vigentes em suas áreas de atuação.
Nesse sentido, a atuação da Prefeitura é bastante pertinente. Uma fiscalização séria e constante é fundamental até mesmo para acelerar o processo de conscientização do que é viver em sociedade.
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