Pequenas empresas estão pessimistas com o mercado


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A confiança dos micro e pequenos empresários industriais de Franca e região em relação ao mercado está baixa. Segundo pesquisa realizada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e Uni-Facef, que ouviu pequenas indústrias da região de Franca, que abrange 19 municípios, os próximos seis meses não serão dos melhores. A pesquisa feita no 3º trimestre apresentou um índice de 51,4, resultado inferior ao dos três meses anteriores, que apresentou indicadores na ordem de 57,6. Os números vão de zero a 100, e abaixo de 50 representam pessimismo.

O ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) foi organizado pelo Depar (Departamento de Ação Regional), órgão da Fiesp, que ficou responsável por encaminhar as perguntas às empresas de maneira sigilosa. O levantamento mostra como o setor produtivo industrial enxerga as potencialidades econômicas, estabelecendo uma estimativa. O índice é baseado em quatro questões, sendo duas de condições e duas de expectativas (para a empresa e para a economia nos últimos seis meses). A Fiesp não revela os métodos de avaliação e como formulam a média.

Dentre as empresas pesquisadas, 71,4% são de pequeno porte e 28,6% de médio porte. Setores variados foram ouvidos. A maioria (52,4%) são calçadistas.

De 11 quesitos avaliados pelos empresários, sete receberam notas abaixo de 50. Os empresários de Franca e região não estão otimistas quando o assunto é novos empregos, compra de matéria-prima, exportações, volume de produção, utilização da capacidade instalada, margem de lucro e acesso ao crédito.

Segundo Melissa Cavalcanti, coordenadora do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) da Uni-Facef e responsável pelo relatório da pesquisa, os principais problemas enfrentados pelos empresários são a elevada carga tributária (78,1%), a falta de demanda (33,3%), a falta de trabalhador qualificado (29,5%) e a competição acirrada do mercado (26,2%). “Houve uma queda do otimismo do industrial do último trimestre e uma diminuição do otimismo do microempresário.”

Na empresa Calçados Mados, do Jardim Guanabara, a previsão é de que o número de 17 funcionários que hoje trabalham no local não deva aumentar. Segundo o proprietário Marcelo Lamarca Palenciano, 41, ele apostará na manutenção de quem já está na empresa. “Estou segurando esse final de ano para preservar minha equipe, que já está treinada. Acredito que eu precise de poucas peças para compor agora no começo do ano.”

A produção da fábrica, que é de 250 pares de sapatos diários, também deve manter-se. Apesar de o mercado estar estável, Palenciano destaca a insegurança do mercado mundial. “Qualquer dor de barriga que dê, qualquer situação que aconteça no mundo é possível afetar para nós. Todas as pessoas que a gente vem conversando em relação a isso estão preocupadas.” Além desse problema, há também a dificuldade em competir com as grandes empresas. “Se tratando de calçados, existem os leões no meio da gente. Tem as grandes marcas que puxam a frente, então temos que estar sempre no encalço.”
 

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