A Terra do Nunca


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A sociedade contemporânea pratica o mais fantástico culto à juventude de que se tem notícia na história da humanidade. Nunca os jovens e o viver juvenil foi uma referência tão forte como vemos atualmente. A figura do Adulto desapareceu; Adulto entendido como o que assume responsabilidade de ser adulto, diz o que é certo e errado, faz o papel de chato impondo limites, e, aceita que a juventude e o tempo do descompromisso terminam.

De repente, o recreio não termina mais. Pessoas que deveriam estar à frente de suas comunidades, liderando discussões, arregimentando conversas sobre os problemas educacionais, sociais e urbanos da sua cidade ou local onde moram, querem apenas o fruir da vida, o consumo descompromissado e que alguém resolva os problemas, menos eles.

Não são raros os que não assumem a educação nem dos filhos que geram. Enquanto isso, jovens embriagados morrem ou ficam paraplégicos às centenas nas estradas, os políticos roubam à vista de todos, os adolescentes se entregam às drogas, as crianças se corrompem em frente à TV e os adultos cada vez mais neuróticos pelo carro que não possuem, pelo corpo que precisam ter e, pela juventude que precisam manter ainda que a cada dia mais velhos.

Ninguém quer, nem deseja, nem espera, muito menos pensa sobre a importância para crianças, adolescentes e jovens, do fato de que do adulto se espera referência.

Os adultos querem a audiência, o carinho e a vida que levam os adolescentes quando, na verdade, o que crianças e jovens esperam dos adultos é que sejam educados por esses. Sem saber, saem da adolescência se mantendo adolescentes, têm filhos ao mesmo tempo em que continuam sendo filhos. De repente os adolescentes, quando não as crianças, vivem coisas típicas dos adultos sem o menor preparo e pagam caro pela experiência que não deveriam estar vivendo. E os adultos assistem como se fosse normal, simplesmente por que não querem? Se colocar entre os jovens e um mundo com limites cada vez mais largos.

Passamos nós, os adultos, a aceitar o argumento de que os tempos são outros e, que os adolescentes fazem hoje o que jamais pensaríamos em fazer na mesma idade, para apenas mascarar o fato de que fazem e se comportam da forma como se comportam por que nós, os adultos, abrimos mão de educá-los, formá-los, prepará-los para uma vida cheia de compromissos e responsabilidades. O que estamos assistindo são pessoas, na maioria na casa dos 25 anos para frente, incapazes de tocarem a própria vida e assumirem as responsabilidades por si mesmas e pelo que fazem. Estamos vivendo uma gama de problemas em todos os tons e matizes, desde problemas emocionais, sociais, religiosos e políticos porque, simplesmente, a sociedade abriu mão de formar as pessoas capazes de resolvê-los. (...)

Embriagados pela Terra do Nunca do mercado e a realização sem fim dos desejos sejam eles quais forem, os adultos são consumidos pelo mercado que, ao mesmo tempo, corrompe crianças, infantiliza adultos e engole cidadãos.

Aliás, o mercado que corrompe e infantiliza é o mesmo que inventou a ideia de que ele, o mercado, é o único que deve pensar em tudo e que cada um pense em apenas curtir.

Luciano Alvarenga
Sociólogo

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