Nossos políticos parecem um pouco perdidos nesses tempos complexos de globalização. Primeiro foi o ministro Mantega. Matéria publicada pelo Comércio em sua edição de terça-feira, 11/10, mostrou o homem forte de nossa economia dizendo que iria ficar na torcida para que não houvesse uma desaceleração da economia chinesa. Para o ministro da Fazenda, se isso viesse a acontecer, o Brasil poderia ser contaminado com o ‘vírus’ da crise internacional. Como já foi dito nesse espaço, não é nada agradável para nós brasileiros ouvirmos um comentário como esse. Um ministro deveria torcer menos e agir mais.
Agora, nessa última semana, foi a vez do vereador Jepy Pereira. Irritado com o pedido de adiamento da votação do projeto da reforma administrativa interna, ele sugeriu a contratação de um pai de santo para benzer e ‘desamarrar’ a Câmara.
A despeito do exagero retórico de ambos os políticos, ou mesmo da ironia expressa nas palavras do vereador, é interessante tentar descobrir o que se esconde por trás dessas verbalizações, mais precisamente o ambiente político e econômico que perpassa em suas entrelinhas.
No primeiro caso é possível perceber que o país ainda está excessivamente dependente de suas commodities. Mesmo considerando o crescimento de nossa economia, a internacionalização de algumas de nossas empresas e o surgimento de produtos nacionais com tecnologia avançada, ainda somos basicamente um país exportador de matéria prima e produtos de baixo valor agregado. Ainda não nos livramos completamente de nosso passado colonial.
Dentro desse contexto, é possível inferir que ainda não fizemos as reformas política, fiscal e administrativa que há tanto tempo sabemos necessárias. Nosso sistema educacional ainda é capenga e nosso desenvolvimento tecnológico deixa muito a desejar.
Essa situação, obviamente, nos deixa vulneráveis. Crescemos nesses últimos anos, mas não aproveitamos essa oportunidade para solidificar nossas estruturas políticas e econômicas. Nosso ‘castelo’ parece de areia e pode de repente desfazer-se sob uma onda mais forte.
O segundo caso já nos é mais familiar. Estamos acostumados às surpresas, trapalhadas e baixa produtividade de nossa Câmara. Somem-se a isso os últimos acontecimentos relacionados ao bloqueio das contas de alguns feitos pela Justiça, o risco de descontos nos salários e a imagem desgastada de todos e poderemos vislumbrar um cenário de tensão e desgaste, também entre os vereadores, todos já preocupados com as próximas eleições.
Mas, o problema da Câmara não está no pedido de adiamento para análise mais aprofundada de um projeto, algo, aliás, muito natural. O problema é que ela se perdeu durante essa legislatura. Perdeu-se em sua própria inação e em seus erros. Perdeu-se na sua falta de objetividade, em seu ‘enrolation’ e em seus interesses privados.
Agora, não adianta pai de santo.
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