CRM abre sindicância para apurar conduta de médico


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DECISÃO - Luiz Aurélio Prior, presidente da Santa Casa, diz que afastou médico assim que tomou conhecimento das denúncias de abusos dentro do hospital
DECISÃO - Luiz Aurélio Prior, presidente da Santa Casa, diz que afastou médico assim que tomou conhecimento das denúncias de abusos dentro do hospital

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo abriu uma sindicância interna para apurar a conduta do médico anestesista José Rubens Perani Soares, acusado pelo Ministério Público de abusar sexualmente de adolescentes e crianças nos centros cirúrgicos da Santa Casa e do Hospital São Joaquim. Na segunda-feira, 24, os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) pediram a prisão preventiva e a suspensão das atividades profissionais do médico. Ele foi denunciado à Justiça por dois crimes de estupro de vulnerável.

O Ministério Público em Franca acusa o anestesista de abusar de uma adolescente de 15 anos durante cirurgia realizada em junho na Santa Casa. Segundo a promotoria, testemunhas disseram que o médico teria colocado a mão na genitália da menina e depois cheirado. Também teria perguntado se ela usava anticoncepcional e se mantinha relações sexuais. De acordo com a promotoria, um menino também teria sido vítima, ano passado, no Hospital São Joaquim. O pedido de prisão feito pelo Gaeco foi divulgado com exclusividade pelo Comércio na edição de domingo.

Em nota enviada ao Comércio, ontem, o conselheiro responsável pelo CRM em Franca, Lavínio Nilton Camarim, disse que tomou conhecimento dos fatos por meio do jornal e que abriu uma apuração interna. “O Cremesp já está instaurando sindicância para apuração do caso e tomando as medidas cabíveis na esfera ético-profissional, sendo que conduzirá esta questão de forma totalmente imparcial, de maneira a coletar provas necessárias dando o direito da ampla defesa ao médico.”

O conselheiro afirmou que o órgão apura com rigor ocorrências semelhantes às denunciadas pelo MP. “Posso relatar que em casos de abuso, assédio ou atentado ao pudor contra qualquer paciente, quando confirmado, o Cremesp tem sido rigoroso em seu julgamento e, também, nas penas punitivas”, disse referindo-se a casos registrados no Estado. Indagado se o médico já respondia a outros procedimentos, o CRM informou que só poderia se manifestar se existir pena pública já transitada em julgado.

A Santa Casa classificou de “consistente” a denúncia feita por escrito pela enfermeira. Por isso, determinou de imediato o afastamento administrativo do médico José Rubens. “Desde o dia 3 de junho, ele não põe os pés aqui”, afirmou o presidente Luiz Aurélio Prior (leia mais em texto nesta página). Fontes disseram ao Comércio que a enfermeira também saiu do trabalho em seguida.

O Hospital São Joaquim não comentou as acusações do MP de que o médico também teria abusado de uma criança em seu centro cirúrgico. “O hospital informa que não pode se pronunciar publicamente a respeito das denúncias até que todos os fatos estejam apurados e cabalmente esclarecidos. As informações oficialmente solicitadas foram encaminhadas aos promotores responsáveis pela investigação”, afirma nota enviada à redação.

O médico José Rubens teria se mudado de Franca e não foi encontrado para apresentar sua versão. 

Como o Fórum está em recesso até a próxima quinta-feira, a Promotoria ainda aguarda a decisão sobre o recebimento da ação pela Justiça, bem como sobre os pedidos de prisão e suspensão das atividades médicas do acusado.
 

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