O caso envolvendo o médico de Franca tem semelhanças com outro episódio de repercussão nacional que veio à tona em 2008. Roger Abdelmassih, um dos mais renomados médicos especialistas em reprodução assistida do Brasil, teve seu registro profissional cassado e foi condenado a 278 anos de prisão pela juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16ª Vara Criminal de São Paulo. Ele foi acusado de estuprar 56 pacientes quando elas ainda estavam sob o efeitos de sedativos em sua clínica, localizada em um bairro de área nobre da capital paulista.
A investigação que culminou na condenação do médico também foi conduzida pelos promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) após denúncias de pacientes que começaram a ser feitas no início de 2008. Com a divulgação do caso, outras supostas vítimas entraram em contato com o Ministério Público e a polícia para relatar abusos.
As mulheres relataram situações em que Abdelmassih as beijou à força e passou a mão em seus corpos durante o atendimento, entre outros atos libidinosos. Pelo menos um caso de estupro também constou da investigação.
Roger Abdelmassih foi indiciado pela Polícia Civil por estupros e atentado violento ao pudor. Em depoimento à Justiça, o médico negou os abusos e disse que apenas dava beijos no rosto das pacientes. Alegou que o cumprimento afetuoso é uma característica familiar, sem qualquer outra intenção.
O médico chegou a ficar preso de 17 de agosto a 24 de dezembro de 2009, quando o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, concedeu a ele o direito de responder o processo em liberdade.
Em 23 de novembro de 2010, Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão. Antes que pudesse ser capturado, fugiu e está desaparecido, inclusive, figurando na lista dos 25 criminosos mais procurados do Estado. Para a polícia da capital paulista, o médico embarcou para o Líbano usando um passaporte falso conseguido no Uruguai.
O Brasil não possui tratado de extradição em vigor com o Líbano, o que dificulta uma eventual prisão.
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