A Assembleia Legislativa de São Paulo lançará no dia 9 de novembro, às 9h, uma Cartilha Antidrogas, focada nas conclusões da Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack, a exemplo da cartilha ‘SOS Drogas’ lançada no Rio Grande do Sul ano passado com a finalidade de orientar os cidadãos sobre os malefícios das drogas, seus efeitos e danos à saúde e à vida social
Em São Paulo, é apenas o começo de uma guerra, se for levada em conta frase recente do deputado Donisete Pereira Braga (PT), presidente da frente, a respeito dos próximos passos: “Não entramos na guerra ainda”. Ou seja, reconhece que há muito o que fazer de forma coordenada. “Precisamos ter humildade para reconhecer.” O Poder Público e a sociedade ainda não deram na prática início efetivo ao enfrentamento do problema das drogas de forma contextualizada e mais ampla. O campo está aberto.
Descobriu-se tardiamente que o consumo de crack tornou-se um problema de saúde pública. “O crack já está presente em todo o Estado”, afirma Donisete, baseado em números, para expressar a gravidade do que os parlamentares constataram ao longo dos trabalhos da Frente nos últimos meses. “Diante da constatação da proliferação das drogas e a desarticulação dos governos federal, estadual e municipais em torno das ações, precisamos articular todos num tripé de prevenção, recuperação e repressão à droga”, convoca o deputado.
Levantamento aponta dados alarmantes no Interior Paulista. Na maioria das cidades que são polos regionais, há crianças de nove anos dependentes da droga perambulando pelas ruas. Em municípios de 80 a 100 mil habitantes, o crack empata com o álcool nos índices de principal droga usada. Não faltam informações sobre a realidade, nem sugestões como sobre como resolver o desafio. Faltam ações.
Em tempo: está na agenda de trabalhos da Assembleia Legislativa para esta segunda-feira: lançamento no auditório Paulo Kobayashi da Frente Parlamentar em Defesa da Família, contra a liberação da maconha. À frente o deputado Edson Ferrarini (PTB).
Palavra de especialistas
O secretário do Departamento de Pneumologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, João Paulo Lotufo, diz que a luta contra as drogas só terá sucesso se houver um grande trabalho de prevenção, principalmente no ensino fundamental, que envolva a escola, a família e a comunidade. O vice-presidente da organização Coalizões Comunitárias Antidrogas da América, Eduardo Hernandez, concorda com Lotufo e diz que os fatores de risco devem ser atentamente observados e controlados para uma solução positiva. Podem exercer influência nos usuários a família, a escola, amizades, comunidade, mídia e comércio.
Palavra de pai
Do desembargador Flávio Allegretti de Campos Cooper, da Justiça do Trabalho, 5ª seção, em reunião quarta-feira, em São Paulo promovida pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack na sede da OAB/SP: “Sou pai de uma jovem que, aos 16 anos, era usuária de cocaína e crack. Sei do sofrimento dos adolescentes, da família e também dos amigos que acompanham o drama. Tive que sair das atividades profissionais para acompanhá-la. Houve várias tentativas de suicídio dela por achar que não havia mais jeito. Revolta pelas internações. Tive que sair por uma janela e sentar-me com ela no telhado de onde queria se atirar e convencê-la que ainda valia a pena continuar vivendo.” Ele manifestou sua confiança de que outros possam se recuperar: “Esta é minha palavra de esperança, de alguém que estava no fundo do poço e pôde se recuperar. Vale a pena empenhar tantas energias nessa luta. Hoje ela tem 23 anos e não tem mais nenhum tipo de dependência. Teve alta até da terapia. Trabalha, é uma moça bonita e não me dá nenhuma preocupação.”
Cultura
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) anunciou que fará levantamento nacional para obter indicadores nacionais que possam ajudar os municípios a melhorar o seu planejamento na área de cultura. Na imensa maioria deles, o orçamento destinado é baixo, e, além disso, existe uma grande carência de dados estatísticos indispensáveis à definição de políticas públicas. O diagnóstico será feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Serão analisados 255 itens, que vão desde serviços até mão de obra do âmbito da produção cultural, englobando preços de hospedagem, locação de veículos e espaços, entre outros. A pesquisa será usada pelo Ministério da Cultura como critério de avaliação de propostas candidatas à renúncia fiscal pela Lei Rouanet - Lei 8.313/1991. Para a CNM, o projeto deve ser acompanhado de perto pelos municípios “para evitar que os dados se percam ou caiam em desuso”.
Dos leitores
“Que satisfação ler tão oportuno artigo intitulado ‘Em Defesa dos Animais’, (Contexto Paulista, 26/10/2011). Lúcido, imparcial e extremamente informativo, a matéria não apenas informa o leitor como instrui a cerca de um tema pouco difundido na mídia em geral mas, de grande interesse de todos nós amantes dos animais. Parabéns ao nobre jornalista pela feliz matéria!” - Márcio Baesso, S. José do Rio Preto
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br
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