É interessante perceber como a demografia é importante para o planejamento de qualquer tipo de organização, sejam elas países ou empresas. Peter Drucker, um dos pensadores mais influentes da gestão atual já havia antecipado essa questão na década de 60, no século passado.
Ao perceber a alta incidência de técnicos no senso norte-americano daquela época, diagnosticou o surgimento de uma nova sociedade, que ele tão propriamente chamou de sociedade do conhecimento. Em função dessa análise, Drucker pode refletir sobre uma série de mudanças sócioeconômicas, culturais e comportamentais que iria impactar a sociedade nos anos seguintes.
A partir daí, países que levaram a sério o conselho do velho mestre e olharam com mais atenção para suas análises demográficas puderam se preparar melhor em termos de políticas públicas, trabalhando de forma prospectiva, não reativa. O mesmo se deu com empresas que fizeram a lição de casa. Por meio da demografia conseguiram detectar novos nichos de mercado, bem como novos desejos e necessidades.
Nesse sentido, é importante que nossos empresários e autoridades também atentem aos dados recém-divulgados pelo Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). De acordo com eles, Franca tem hoje 7 mil crianças a menos que há 10 anos atrás, a despeito do crescimento populacional experimentado pela cidade.
Talvez muitos já tivessem percebido essa tendência na própria realidade cotidiana, pois é notório que os casais de hoje têm menos filhos. Porém, quando esses números são colocados no papel, causam um pouco mais de impacto e acabam por exigir um pouco mais de nossa atenção. Afinal, se a tendência permanecer, muitas mudanças acontecerão, gostemos ou não.
Para o Estado, em todos os seus níveis, o problema que se coloca é preparar o país para lidar com uma pirâmide etária invertida, com mais idosos que jovens, o que deverá comprometer totalmente nosso atual sistema previdenciário e de saúde.
Para as empresas, no entanto, os desafios se concentram na capacidade de perceber e diferenciar o que são oportunidades e ameaças. Se pensarmos nas escolas particulares, por exemplo, esses dados são fundamentais para que elas reflitam sobre seu futuro. Se elas mergulharem neles com mais atenção, vão perceber que o maior percentual dessa diminuição de crianças se dá nas classes de renda média, seus principais clientes. Se isso se confirmar, com certeza dentro em breve não haverá crianças suficientes para todas. Nesse sentido, é preciso que comecem a se repensar agora mesmo.
Na sequência, é bom que as universidades também busquem novos produtos ou novos nichos de mercado, pois essa tendência as alcançará logo em seguida. Dessa mesma forma, muitos outros setores que hoje têm nas crianças seu principal público precisam reinventar-se.
Não é fácil, mas faz parte do jogo de mercado e da vida em sociedade.
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