A Rodovia Cândido Portinari, que liga Ribeirão Preto a Rifaina, passando por Franca, proporciona ao motorista duas realidades diferentes. O trecho duplicado da via foi classificado ontem como um dos dez melhores do País, ao mesmo tempo em que o trajeto de pista simples fez só neste ano, de janeiro a outubro, 15 vítimas fatais.
Com 150 quilômetros de extensão, a rodovia foi avaliada como ótima em sinalização, qualidade do pavimento e geometria da via, que inclui elementos como acostamento e condições de pontes e viadutos, segundo pesquisa CNT de Rodovias 2011 realizada pela Confederação Nacional do Transporte. O estudo foi feito de 27 de junho a 4 de agosto e avaliou 92.747 quilômetros de todo o País. Na região, a Rodovia Ronan Rocha também foi incluída no levantamento e, junto com a Cândido Portinari, classificada como a nona melhor rodovia do Brasil. A Rodovia Anhanguera (SP-330), que passa pela região de São Joaquim da Barra até a divisa com Minas Gerais, ficou em 6º lugar (leia mais em texto nesta página).
Foram considerados, na pesquisa, os 91 quilômetros duplicados da Portinari e sob a responsabilidade da concessionária Autovias. O trecho tem duas praças de pedágio, base operacional 24 horas, telefones de emergência, guinchos, ambulâncias, além de viaturas de inspeção de tráfego, caminhão-pipa, caminhões para apreensão de animais e veículo de emergência operacional. No trajeto ainda são feitos constantemente serviços de recapeamento, tapa-buraco e de manutenção, conforme prevê o contrato de concessão da rodovia.
Se de Ribeirão a Franca, as condições de trânsito são favoráveis, no restante da mesma estrada até a divisa com Minas Gerais, o motorista enfrenta pista simples e encontra buracos, desníveis, acostamento de terra e muita imprudência. Pelo local, passam em média dez mil veículos por dia, entre eles muitos caminhões. Com a falta de recapeamento, quem dirige pela rodovia se depara também com a precariedade dos remendos realizados no asfalto. São praticamente 60 quilômetros de perigo, que já vitimaram neste ano, 15 vítimas, cinco delas somente no último fim de semana.
A situação é tão conflitante com o outro trecho, que diversos movimentos a favor da duplicação foram realizados ao longo do ano, como coleta de assinatura e distribuição de adesivos com o slogan “Cândido Portinari, Duplicação Já”, até o anúncio da obra em junho último pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).
O pontapé para realização da obra, que tentará igualar o cenário, foi dado neste mês com a abertura de licitação para contratar a empresa que fará o projeto executivo dos serviços. A previsão é que obras comecem a ser executadas ainda no primeiro semestre 2012 e receba um investimento R$ 125 milhões.
As obras farão a duplicação do trecho de Franca a Jeriquara (do quilômetro 406 até 421) e a restauração, que inclui recapeamento e a pavimentação dos acostamentos, de Jeriquara até a serra de Rifaina (a partir do quilômetro 421 até o 454,80).
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