O advogado criminalista Roberto Podval palestrou na noite de ontem para advogados e estudantes de direito, na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Franca. Conhecido após fazer a defesa do casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, condenados pela morte da filha dele, Isabella Nardoni, em 2008, Podval falou sobre a influência da mídia na decisão do júri neste e em outros casos de grande repercussão.
Mais do que uma palestra, o profissional foi o protagonista de um bate-papo, que contou com a presença dos advogados Marcelo Teodoro, Mansur Jorge Said Filho e Miguel Matos, que é também editor do site jurídico Migalhas. Com o tema “Advocacia criminal e a mídia”, Podval falou durante boa parte do tempo sobre o caso que o fez mais conhecido, os Nardoni, mas citou também outros processos em que atuou, como o do cirurgião Farah Jorge Farah, acusado de matar e esquartejar a ex-namorada Maria do Carmo Alves.
Para ele, o julgamento do pai e da madrasta de Isabella foi o maior equívoco jurídico do Brasil, pois não havia, segundo o advogado, em todo o processo provas que inocentassem ou culpassem seus clientes. “O júri tem que ser imparcial, mas tanto Alexandre como Ana Carolina, quando chegaram ao Fórum, já tinham sido condenados pela mídia e pela opinião pública. O que era para ser um benefício garantido pela Constituição (o júri) atrapalhou, pois não havia possibilidade de defesa.”
Sem julgar os méritos do casal-cliente, mas a maneira como o caso foi levado à imprensa, Podval afirmou que advogados têm a obrigação de não acreditar nas verdades absolutas e de defender o equilíbrio entre acusação e defesa, “o que fica mais difícil de ser feito nos casos muito explorados pela mídia”. Para ele, no caso dos Nardoni, um julgamento técnico, com juiz, teria sido mais justo do que o popular. “A sociedade precisa evoluir nesse sentido, pois na falta de um culpado, qualquer um vira vilão da noite para o dia.”
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