Quem passa a pé ou de carro pelo viaduto da Rua General Telles nem de longe imagina a importância daquela edificação. Na época da construção havia, tão somente, três pontes ligando o Centro à Estação. As pessoas transitavam pela Voluntários da Franca (conhecida como Rua da Estação), pela General Carneiro ou pela General Osório (antiga Rua dos Bondes).
O viaduto foi edificado muito acima do leito do Córrego dos Bagres. A pista de rolamento se assenta sobre altas colunas de concreto.
A ponta da ponte, do lado da Estação, apóia-se em enormes pedras naturais. Na certa, o terreno era formado por uma íngreme encosta petrificada. Pela própria natureza, não havia chance alguma para um deslizamento de terra.
No entanto, passado algum tempo, com o rebaixamento do terreno para a continuidade da Avenida Dr. Antônio Barbosa Lima, que logo adiante passa a ser denominada Avenida Hélio Palermo (você entende a política para denominação de ruas em Franca?), a encosta começou a deslizar à primeira chuva. Restou, então, construir uma barragem de pedras para conter a terra. A terra desliza quando o homem mexe nela sem os devidos cuidados. O Córrego dos Bagres nasce no começo da Avenida Adhemar de Barros.
Pela lógica natural e até pelo código florestal, deveria haver uma vegetação margeando o curso da água. Entretanto, não tem. As consequências disso aparecem a cada temporada de chuva na forma de alagamentos, mesmo com alargamentos e afundamentos das margens levados a efeito.
E não é apenas o espaço urbano que sofre com deslizamentos. Semana passada, a uns cem metros acima da margem esquerda do Córrego dos Bagres, depois de uns três ou quatro quilômetros em que ele deixa a cidade, o topo de um morro deslizou por sobre a pista da Rodovia Cândido Portinari.
As fotos ilustrativas da notícia neste Comércio mostraram, claramente, terra no asfalto. Por si só, não deslizaria, desde que estivesse recoberta por vegetação natural. Para que o traçado da rodovia fosse plano e reto foi necessária a intervenção humana. Rebaixaram a encosta do morro. Nem mesmo o plantio de sansão do campo segurou o solo.
Terra fora do lugar atrapalha muita gente. No mesmo dia em que o solo deslizou na rodovia, a Sabesp abriu valetas para ampliação da canalização de água nas calçadas próximas ao viaduto da Rua General Teles.
Os dois fatos serviram para comprovar a riqueza da terra margeante ao Córrego dos Bagres. Um chão vermelho brotou nos dois lugares, sujando os calçados dos transeuntes e os pneus dos veículos.
Entre os dois distantes montes de terra, um tratorista revolvia o solo em área rural. A cada curva de nível feita com a lâmina do trator, o homem testava a vazão deixada para as águas da chuva, torcendo para que esta caísse com mais intensidade. A água é sempre bem-vinda, principalmente quando a terra está revolta, esperando pelas sementes.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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