Dependência econômica


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Se analisarmos a evolução da humanidade nos últimos 100 anos, não há como negar-lhe uma série de avanços. Melhorou o acesso à saúde e à educação. Milhões de pessoas foram incluídas na esfera do consumo. Os direitos fundamentais do ser humano também foram mais respeitados, a despeito dos graves problemas que ainda persistem em países e continentes mais pobres, onde governos autoritários ainda resistem ao avanço da democracia.

No Brasil, mais especificamente, podemos até comemorar as várias conquistas que alcançamos. Nas últimas décadas, pagamos algumas dívidas com as camadas mais pobres da população. Dívidas que vinham dos tempos coloniais e que atravessaram séculos sem que nada fosse feito.

O pagamento foi feito na moeda da inclusão. Mais crianças na escola, mais habitação e maior acesso à saúde. Crédito facilitado e expansão do consumo, permitindo a todos uma vida mais digna e feliz, com acesso aos produtos e serviços desenvolvidos pelas conquistas científicas e tecnológicas.

No entanto, essa comemoração deve ser comedida. Muitas famílias ainda dependem da ajuda governamental para sobreviver, o que obviamente não pode ser considerado ideal. Em Franca, por exemplo, 63 mil pessoas dependem de algum programa de transferência de renda, de acordo com matéria publicada pelo Comércio na terça-feira, 18/10. Mesmo que os consideremos importantes para alavancar o progresso dessas famílias, há que se pensar em sua relação com o desenvolvimento econômico do país.

Por um lado, temos o fortalecimento de nossa economia e da marca ‘Brasil’. Nossas empresas estão se expandindo internacionalmente e trazendo novas divisas para o país. O mercado interno continua aquecido e a esfera do consumo abrange cada vez mais pessoas. No entanto, parece que essa riqueza produzida não está sendo distribuída corretamente.

Em nossa cidade, situada na região e no estado mais ricos do Brasil, 18 mil famílias estão registradas no Cadastro Único, esperando pelo benefício do Bolsa Família. Dessas, 13 mil possuem o perfil necessário para receber o benefício. Porém, o limite estabelecido pelo Ministério da Ação Social para Franca é de 8.828 famílias, o que acaba gerando uma fila de espera para se receber o benefício.

Nesse sentido, é possível inferir que a tendência é de crescimento e não de diminuição desses programas de transferência de renda, que deveriam ser provisórios, com previsão para serem extintos.

Se o número de famílias não vem diminuindo com o tempo, talvez esses programas devam ser repensados. Se a transferência de renda não for acompanhada de outras políticas públicas ou se não houver uma melhor distribuição de nossas riquezas, talvez tenhamos um aumento cada vez maior da fila e não sua diminuição, como seria o correto.

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