Uma divergência sobre a fixação de avisos e a mudança de cor das paredes de um guichê da rodoviária de Franca, que está sendo reformada, terminou numa acalorada discussão entre o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e dois funcionários da Viação Cometa. O caso foi no dia 19 de outubro.
Cinco dias depois do ocorrido, nesta segunda-feira, o atendente Washington de Andrade Alves, 25, registrou boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial acusando Sidnei de injúria. Contratou também dois advogados para tratar do processo. Sônia Camargo, gerente da Cometa em Franca, que também discutiu com o prefeito, ainda não registrou queixa.
A discussão começou na tarde do dia 19 quando o prefeito Sidnei Rocha, que vistoriava as obras de reforma da rodoviária, foi cobrado a dar explicações sobre a exigência da prefeitura de manter os novos guichês na cor branca e sem a fixação de cartazes ou avisos nas paredes. O atendente e a gerente estavam planejando as mudanças no guichê da Cometa quando um funcionário da prefeitura disse que, por ordem do prefeito, nada poderia ser feito. A gerente começou, então, a questioná-lo, dizendo que o prefeito não poderia intervir já que o espaço era alugado. Foi então que esse mesmo funcionário procurou o prefeito que estava na rodoviária para dar explicações. A partir daí, há duas versões sobre os fatos: a dos acusadores e a de outras duas testemunhas ouvidas pelo Comércio.
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Segundo Washington, o prefeito se dirigiu aos funcionários de maneira agressiva. “O Sidnei já veio acenando a mão com grosseria em nossa direção, dizendo que não poderíamos mexer em nada.”
A gerente, segundo Washington, tentou argumentar, mas o prefeito insistiu que não haveria mudanças. “Ele disse que quem mandava era ele e que, se ele quisesse, tirava a gente de lá, tirava a empresa da rodoviária... Estupidamente, veio dizendo que mandava na cidade.” Foi neste momento que, de repente, Sidnei Rocha teria começado a ofender os dois funcionários. “Do nada, ele olhou para mim e disse: ‘Quer saber, vai tomar no seu...’ E depois olhou para minha gerente e disse: ‘Vai você também’”.
Depois, sempre segundo o relato do atendente, o prefeito saiu andando. Washington e a gerente andaram atrás, gritando, em tom irônico, que ele era “muito” educado. O atendente afirma também que, em um determinado momento, o prefeito empurrou e agrediu Sônia. A discussão terminou com a chegada dos guardas civis, que trabalham na rodoviária. Os funcionários foram afastados e o prefeito acompanhado até seu carro. “Machucou muito a ofensa verbal que sofri”, disse Washington.
Sônia confirmou a versão do colega e disse que ainda irá re-gistrar um boletim contra Sidnei Rocha. “Não tenho nem palavras. Eu não esperava uma ofensa daquelas do prefeito.”
A versão dos acusadores não é a única. Testemunhas, que trabalham no terminal e acompanharam a discussão, dão outra versão para o ocorrido. De acordo com as duas testemunhas ouvidas, o prefeito atendeu prontamente e sem excesso o chamado feito pelo funcionário da rodoviária e, ao ser questionado pela gerente, explicou que ela deveria se dirigir ao presidente da Emdef, João Marcos Rodrigues, que administra a rodoviária. “Ela não se contentou com a resposta e começou a gritar e a provocar o Sidnei Rocha. Ele saiu andando, mas os dois funcionários vieram atrás, fazendo provocações. Eu não vi nenhuma agressão ou ofensa por parte do prefeito. Mas o Sidnei Rocha estava bem irritado”, disse uma das testemunhas que não quis se identificar. O mesmo relato é descrito pela segunda testemunha.
O atendente gravou parte da discussão com o celular. No vídeo, o prefeito aparece bastante alterado, mas não é possível afirmar se houve a agressão.
Procurado, Sidnei Rocha não quis se pronunciar a respeito do caso e do vídeo gravado.
Demissões
Um dia depois do episódio, os dois funcionários foram demitidos pela Cometa. “Me disseram que não era a empresa que estava me dispensando, mas que foi o prefeito que pediu. Agora quero os meus direitos. Eu tive danos morais e materiais.” Washington trabalhava na Cometa havia quatro meses e Sônia há 11 anos.
Em nota de sua assessoria de imprensa, a Viação Cometa informou que a demissão dos dois funcionários não foi resultado de qualquer pedido feito pelo prefeito e nega que tenha sofrido pressão para demitir os envolvidos. “A Viação Cometa informa que desligou dois de seus colaboradores que atuavam no setor de Franca por não seguirem as normas de relacionamento e atendimento ao público. A decisão da Viação Cometa ocorreu após apuração detalhada dos fatos ocorridos em 19 de outubro.”

Acusação - Prefeito com a mão nas costas da ex-gerente da Cometa: segundo ela, neste momento, teria sido agredida
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