Conhecida tradicionalmente como a terra do calçado, Franca agora quer outro título: o de rainha das abelhas sem ferrão do Estado de São Paulo. Um projeto implantado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento pretende transformar a cidade em um polo de criação e manejo de abelhas nativas do Brasil.
O projeto “Mandaçaia” (nome de uma das espécies nativas) surgiu há dois anos, depois que a secretaria percebeu um interesse crescente nos programas voltados à apicultura. “Estávamos registrando uma procura cada vez maior. Resolvemos nos aprofundar e acabamos descobrimos outro ramo, o da meliponicultura, que nada mais é do que a criação de abelhas nativas que não possuem ferrão. Elas são usadas tanto para hobby como para a produção de mel”, disse Célio Rodrigues, um dos coordenadores do projeto.
A meliponicultura é muito comum na região nordeste do País, mas somente há poucos anos passou a ser vista como uma cultura economicamente viável em São Paulo.
Atualmente, o núcleo de meliponicultura de Franca possui 20 colônias com cinco espécies diferentes. “Elas são usadas mais para cursos e estudos. Não comercializamos nem recolhemos o mel. A meta agora é criar um meliponário com capacidade para a exploração de 500 colônias no Horto Florestal. Quando estiver pronto, vamos poder vender e espalhar as abelhas pela região”, disse o secretário municipal de Desenvolvimento, Alexandre Ferreira. Para a implantação do meliponário, serão investidos R$ 180 mil. Ainda não há previsão de quando começarão as obras.
O coordenador disse que o interesse por abelhas sem ferrão tem crescido por conta do aumento do valor do mel produzido por este tipo de abelhas. “As abelhas nativas produzem um mel mais adocicado, mais leve e com mais aceitação no mercado. Como a produção das colônias é bem menor que a das de outras espécies de abelhas, o valor cobrado pelo quilo do mel também é maior”, disse. Enquanto o quilo do mel de abelhas com ferrões é vendido em média por R$ 15, o produzido pelas abelhas nativas ultrapassa R$ 100. Cada colônia de meliponas produz, em média, 10 quilos de mel por ano.
Outro motivo do alto interesse seria o fácil manejo e baixo investimento. “O produtor gasta apenas com a aquisição das colônias. Depois é só instalá-las em locais cercados por mata que as próprias abelhas se encarregam de se alimentar e alimentar a colméia.”
De acordo com o coordenador, em Franca, pelo menos, quatro empresários já criam as abelhas nativas comercialmente. “O número ainda é pequeno, mas há muitos interessados no ramo.”
Nesta semana, de quinta a sábado (27 a 29 de outubro), a secretaria vai realizar o 2º Seminário de Meliponicultura de Franca. “Já temos 60 inscritos. A meta é chegar a 100”.
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