Mandamento do amor


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Hoje, Dia mundial das Missões, a liturgia ajuda a descobrir o que podemos fazer para contribuir no anúncio da Palavra.

O destaque, hoje, é para o maior dos mandamento: amar a Deus e amar o próximo. Jesus falou e viveu esse mandamento, pois, ele é verdadeiramente aquele que se fez próximo de quem mais necessitava da plenitude da vida. A Palavra de Deus nos faz lembrar que ser cristão significa ser missionário do bem, do amor, da justiça.

Nosso Deus é o Deus defensor dos pobres. Nossa religião se firma nesse Deus que cultiva seu amor pelos últimos da terra. Amar a Deus significa amar esse povo. Tudo isso está iluminado na Palavra de Deus hoje proclamada:

PRIMEIRA LEITURA: ÊXODO 22
No texto aparece série de leis que tem como fundamento “não se deve fazer a outrem o que não é desejado para si mesmo”. Deus tem particular cuidado com os atribulados, escuta seus clamores e é misericordioso com eles. Trata de categorias dos que devem ser amados. O estrangeiro: na antiguidade, cada indivíduo tinha a identidade vinculada a uma tribo ou clã, que o protegia. Em viagem ou quando havia migração de pequena família para outra região, facilmente essas pessoas ficavam sem proteção e à mercê da violência, por causa da distância da tribo à qual pertenciam. A viúva e o órfão: a mulher era protegida pelo pai e, na falta deste, pelos irmãos adultos; se casada, pelo marido e, na ausência deste, pelos filhos adultos. A viúva, era uma mulher cujo pai ou irmãos estavam ausentes e que, com a morte do esposo, tinha ficado sozinha com filhos ainda crianças. Nessa condição, estava totalmente desprotegida, podendo sofrer violência e escravidão. Ela está na mesma situação da criança órfã. Esta leitura tem mensagem muito atual. Não podemos nos aproveitar de pessoas mais fracas, dos mais pobres, dos menos protegidos, dos que não têm instrução, dos que estão na miséria.
Pela vida sempre encontraremos pessoas que irão pedir alguma coisa para nós. Se dermos com amor chegará o dia que sentiremos falta destes, se não nos procurarem. Se reclamarmos por ajudar alguém, o número dos que nos pedem vai aumentar, pois, ainda nos falta conversão e generosidade no coração.

SEGUNDA: 1ª TESSALONICENCES 1
O apóstolo Paulo manifesta grande estima pela comunidade de Tessalônica. Por ele, esses cristãos são citados como exemplo perante todas as demais comunidades. No texto, destacam-se dois belos ensinamentos: o conhecimento recíproco entre as várias comunidades cristãs e os meios usados na difusão do evangelho. No templo de Paulo não havia rádio, telefone, jornais. Entretanto, as comunidades se comunicavam entre si, trocavam informações e viviam unidas. Também não havia aviões, trens ou carros para se deslocar. Ainda assim, aconteceu o florescimento da vida cristã. Foi o trabalho de todos os discípulos de comunicar aos outros a própria fé no Cristo Ressuscitado que conseguiu multiplicar a vida em Deus.

EVANGELHO: SÃO MATEUS 22
O evangelho nos situa diante de pergunta muito importante não apenas para os judeus mas também para nós, cristãos: o maior mandamento. É importante nos reporta à prática evangélica. A resposta de Jesus, fundamentada na Escritura, une dois mandamentos conhecidos e praticados pelos judeus. O primeiro, amar a Deus, que resume a vocação própria de Israel, razão de sua existência. Em Cristo, essa vocação estendeu-se a todos nós, chamados a amar a Deus no Filho amado. O segundo, amar o próximo como a si mesmo, cujo fundamento é Deus, que ama o ser humano. A realização faz parte da vocação de Israel e, em Jesus, chegou à plenitude, porque Cristo amou o próximo não como a si mesmo, mas como o Pai o ama.
Jesus quer ressaltar que o mais importante para cumprir a vontade de Deus não é o muito fazer, seja por Deus, seja pelos irmãos. O importante é ser para o outro, como ele próprio foi para Deus e para o próximo. Toda a sua vida e missão traduziram quem ele é: o Filho amado. Toda a sua ação em prol do outro foi baseada no amor filial, fonte de sua existência. Toda a Escritura (Lei e Profetas) testemunha que a realização da vontade de Deus está no cumprimento do duplo mandamento de amar a Deus e o próximo. Tudo o mais, nossos afazeres, nossas devoções etc. só têm sentido se nascem desse mandamento.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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