Lucas Donadelli, 25, começou a trabalhar numa empresa de telefonia celular há apenas oito meses e já ganhou uma promoção. Trocou o atendimento ao cliente pelo cargo de consultor de planos corporativos. Camila Cristina Cintra, 24, trabalha na mesma empresa e já está escalada para assumir a nova loja que será inaugurada no fim do ano no Franca Shopping. Além da competência, o que eles têm em comum? A beleza.
Essa característica física tão evidente na mídia nos dias de hoje ganhou mais repercussão nas últimas semanas com o lançamento de dois livros no exterior: Beauty Pays: Why Atractive People Are More Successful (A beleza rende: por que as pessoas atraentes têm mais sucesso), do economista americano Daniel Hamermesh, e Honey Money: the Power of Erotic Capital (Dinheiro doce: o poder do capital erótico), da socióloga inglesa Catherine Hakim. As obras sustentam a tese de que, tanto na vida pessoal quanto na vida profissional, as pessoas bonitas obtêm vantagens econômicas quantificáveis.
Segundo matéria da revista Época, Hakim diz que homens atraentes (ou com capital erótico) ganham de 14% a 27% mais que os não atraentes. Entre as mulheres, a diferença vai de 12% a 20%.
Ainda de acordo com a revista, Hamermesh, um respeitado especialista em salários da Universidade do Texas quer demonstrar que um profissional de ótima aparência recebe, nos EUA, cerca de US$ 230 mil (R$ 400 mil) a mais que alguém de má aparência.
Os jovens citados no início desta matéria são exemplos de francanos bonitos que conquistaram sucesso no emprego com uma “forcinha” da beleza. Mas, mesmo num País que cultua tanto o corpo como o Brasil, ainda é difícil admitir esse diferencial. “A beleza ajuda um pouco, mas a pessoa deve ser profissional na área em que está atuando”, diz Viviane Oliveira, que trabalha na área comercial em Franca há 11 anos e atualmente faz financiamentos bancários.
Questionada se a aparência física abre portas para as vendas, Viviane diz que alguns clientes fazem uma brincadeirinha sobre a beleza dela, mas basta ela manter a postura profissional para ser respeitada. “E nenhum cliente me falou que estava comprando de mim porque sou bonita (risos).”
PATRÃO
O patrão de Lucas e Camila, Cláudio Márcio Chieregato, contrata seus funcionários pessoalmente. Ele nega que a beleza seja um fator determinante na escolha mas diz que, “quando você consegue aliar beleza e competência com certeza é melhor”. Questionado se a loja dele tem algum funcionário feio, respondeu: “É complicado falar isso (risos). A classificação de beleza é subjetiva. Para atendimento a pessoa tem que ter boa aparência, postura, além de conhecimentos básicos como informática.”
Segundo estatísticas, somente 2% dos homens e 3% das mulheres do mundo são considerados extraordinariamente bonitos. A conclusão é que, se beleza fosse fundamental nesse campo, só 200 milhões dos quase 7 bilhões de habitantes do mundo teriam um emprego.
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