O número de crianças em Franca está encolhendo. Há uma década, a cidade tinha 51.411 meninos e meninas com até nove anos. Hoje, mesmo com um acréscimo de mais de 27,4 mil pessoas na população do município, esse número é de 44.025, uma redução de 14,4%. Os dados são do Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), mantido pelo governo do Estado.
Para o economista Luiz Carlos dos Santos, o encolhimento da população infantil é reflexo da inserção feminina no mercado de trabalho e das mudanças impostas pela vida moderna. Preocupadas com a carreira profissional, elas estariam adiando ou deixando de lado a maternidade. “Hoje o número de mulheres que trabalham é muito maior que há dez anos. Além disso, elas não estão mais apenas complementando a renda familiar. Querem construir uma carreira sólida. Poucas são as que sonham ser dona de casa.”
Outro dado citado por Santos é o fato dos custos de educação de uma criança também terem aumentado. “Estudos mostram que criar bem um filho, com direito a médicos, educação e diversão, custa muito caro. Antes de decidirem ter um filho, os casais estão fazendo muito mais contas e pensando nas condições que podem oferecer.” Paralelamente, melhorou o acesso à informação e aos métodos contraceptivos.
Diante deste cenário, o economista faz um alerta: a redução no número de crianças é um dado preocupante. “A médio e longo prazo, pode significar falta de mão de obra. Isso agravará ainda mais a disputa por profissionais e terá um peso enorme para o sistema previdenciário do Brasil.”
Luiz Carlos ponderou que a redução da população infantil não é uma exclusividade de Franca. “Esse é um fenômeno que está acontecendo em muitos países em desenvolvimento. Apesar de parecer alta, a taxa de redução da cidade não está fora do normal.”
SENTIDO CONTRÁRIO
Enquanto a população de Franca com nove anos ou menos encolhe, o número de idosos com 65 anos ou mais não para de crescer.
Segundo dados do Seade, em uma década, a população idosa da cidade cresceu mais de 44%, subindo de 16.736 em 2001 para 24.212 no ano passado.
O economista Luiz Carlos dos Santos disse que o aumento da população idosa é resultado do avanço da medicina e da qualidade de vida dos francanos. “A tendência é que esse percentual continue crescendo. O poder público tem que se preparar para atender a esse público.”
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