Cinema e Psicanálise exibe amanhã ‘Regras da Vida’


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No Cinema e Psicanálise - Cena do filme Regras da Vida, com Tobey Maguire (esq.) no papel de Homer Wells e Charlize Theron (dir.) como Candy Kendall.
No Cinema e Psicanálise - Cena do filme Regras da Vida, com Tobey Maguire (esq.) no papel de Homer Wells e Charlize Theron (dir.) como Candy Kendall.

O núcleo de Cinema e Psicanálise de Franca realiza amanhã, às 15 horas, no anfiteatro do Centro Médico de Franca, a exibição do filme Regras da Vida, seguido de palestra da psiquiatra e psicanalista Beatriz Troncon Busatto. O filme, dirigido por Lasse Hallstrom, faz referência à experiência dos profissionais da medicina, e foi escolhido com o intuito de homenagear a Semana do Médico de Franca. Abaixo, o comentário do longa elaborado pela psiquiatra e membro da SBPRP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto), Ana Márcia Vasconcelos.

“Regras da Vida é um filme magnífico e corajoso ao expor os conflitos dos seres humanos perante regras da civilização, criadas pelo homem para preservar e construir a vida, mas quando absolutas e dogmáticas geram violência e destruição. Regras precisam ser pensadas e não apenas obedecidas ou autuadas.

A grande transgressão que a psicanálise oferece ao homem é buscar desenvolver uma mente para pensar a própria existência, pois a mente malformada ou que não funciona irá eliminar partes de si mesma com suas intenções indesejadas, impedindo o nascimento e crescimento dos germens de pensamento. Somente junto à outra mente pensante e sonhante aprende-se a pensar e conhecer o conteúdo selvagem e rudimentar da natureza humana para transformá-lo em algo últil e criativo.

Assim, a única maneira de tentar sair de uma situação sem saída será pensando a mesma sob múltiplos vértices, conscientes e inconscientes, buscando ser de fato quem a gente é, mesmo sendo diferente da cultura de grupo. Não será esta a maior transgressão?

As palavras da Dra. Beatriz Trocon Busatto, médica psiquiatra e psicanalista e diretora científica da SBPRP, adiantam um pouco do que será abordado: “A vida é uma linha, como a linha do trem. Tem horas que viajamos, tem horas que estacionamos. Às vezes esta linha se quebra, sempre no mesmo ponto. Às vezes simplesmente descarrila. Este filme é uma história de escolhas.

A linha da vida pode ter muitos caminhos laterais, desvios, que levam a lugares ermos e esquecidos por todos. Neste cenário de abandono, desamparo e solidão, há que ser reinventada, sendo fundamental a criação de uma voda grupal. Assim, regras precisam ser recriadas e adaptadas à realidade. Mas como seriam as regras em tempos de escassez material e afetiva? Como criá-las com sabedoria? Quando transgredir ou não? Mesmo em dificuldades, há regras que nunca podem ser desconsideradas? Estas e muitas outras questões referentes à existência humana são despertadas por este sensível filme de Lasse Hallstrom”.

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