A segunda etapa de vendas de túmulos localizados em área nobre do Cemitério da Saudade foi um sucesso. Em leilão realizado ontem, o município arrecadou R$ 425 mil. No primeiro pregão, realizado mês passado, a renda foi de R$ 384 mil. Os recursos serão usados na revitalização do cemitério. Entre os arrematadores, está o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) que ofertou R$ 29.800 em um lote da alameda principal. Não era o seu preferido. O terreno mais caro saiu por R$ 31 mil e foi arrematado por um empresário que cobriu os lances dados pelo prefeito.
Cerca de cem pessoas participaram do leilão realizado no auditório da Secretaria de Ação Social. Foram leiloados 25 túmulos. O lance mínimo era de R$ 19,3 mil. O evento atraiu a atenção da imprensa regional que veio a Franca fazer a cobertura. Não faltaram boas histórias. Uma delas envolveu o prefeito. Tão logo foi aberto o prazo para apresentação de propostas, ele disse que gostaria de adquirir um “ponto bom”.
O ponto bom, neste caso, era o lote um da quadra quatro, localizado no cruzamento das alamedas. Sidnei não foi ao leilão. Por meio de um representante, travou uma disputa lance a lance com o empresário Fernando Veronez Reche, que cobriu o último lance do prefeito e arrematou a sepultura por R$ 31 mil. “Achei o valor alto, mas a concorrência fez com que a disputa fosse acirrada até a desistência do outro candidato. Escolhi esta sepultura por ser mais ampla que as outras. Precisamos de um espaço maior para poder garantir o repouso lá na frente”, disse o vencedor do certame.
Sidnei deu lances para outras quatro sepulturas. Três delas ao valor de R$ 22.500 e uma de R$ 29.800. O edital prevê que os participantes só podem adquirir um lote, mas podem oferecer propostas para quantos quiserem. A escolha do terreno a ser comprado tem de ser feita no prazo de cinco dias. Os lotes descartados serão repassados para o licitante que ofereceu o segundo maior valor.
Responsável pelo projeto de retomada e venda dos túmulos abandonados, o secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, disse que não há impedimento legal para o prefeito participar da licitação. “A lei de licitações não veda as situações de alienação. O prefeito não estava vendendo e, sim, comprando. Já a Lei Orgânica proíbe o prefeito de contratar com o município, salvo quando o contrato for padrão e tiver cláusulas uniformes, como foram os casos.”
O corretor Welcy Maril Lopes Encinas participou do leilão com sete lances. Arrematou um lote por R$ 21.100. “Fiquei muito satisfeito. É um lugar muito bom, ventilado, bate o sol da manhã. Eu precisava de um espaço para a família.” Quem também ficou feliz em garantir um lugarzinho no cemitério foi o diretor-imobiliário Marcos Antônio Parra. “Vai resolver um problema familiar. A gente não tinha espaço. É um alívio. Todos vão precisar um dia.”
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