Todos os sistemas político-econômicos criados pelo homem não conseguiram alcançar a igualdade ou o equilíbrio entre os indivíduos. Muitos sequer se preocuparam com isso. Modernamente, o capitalismo, assim como o socialismo, a face oposta da mesma moeda, colocaram como meta a questão da igualdade. Embasados na filosofia iluminista, ambos se propuseram a essa tarefa, pelo menos no papel.
Mesmo que por caminhos opostos, não se pode dizer que fracassaram totalmente. Se olharmos a história, é possível perceber inúmeros avanços no que diz respeito aos direitos fundamentais do homem. No entanto, a pobreza e a miséria não foram totalmente extirpadas. Ao lado das conquistas, infelizmente, algumas permanências se fizeram evidentes.
O mais irônico, no entanto, é que apesar dessas diferenças entre classes sociais, a pobreza está sempre ao lado da riqueza, sobretudo se considerarmos a urbanização experimentada pelo mundo atual. Favelas, periferias, mendigos, bairros populares ou delinqüentes estão sempre circundando as zonas centrais, os bairros ricos e famosos ou as principais avenidas.
Em Franca a situação não é diferente. Matéria publicada pelo Comércio na sexta-feira, 14/10, mostra que a Avenida Major Nicácio, um dos metros quadrados mais caros de Franca, abriga a metade dos moradores de rua da cidade.
A lógica é simples. A pobreza busca dinheiro. Portanto, tenta cercar-se da riqueza, tanto para sobreviver como para também esfregar-se nas vistas e nas consciências das classes mais abastadas, já que a pobreza não surge naturalmente, mas é criada socialmente. Acuadas pela culpa ou pela ameaça, as pessoas acabam dando dinheiro, o que concorre para perenizar essa situação.
A solução para esse caso não é simples. A despeito das drogas e do álcool, não é crime ficar pelas ruas, nem pedir esmola ou alimentos. Como o rendimento é razoável, entre 1.000 ou 1.500 reais, segundo os próprios pedintes, dificilmente eles trocarão esse trabalho por outro que, para além da carteira assinada, talvez não lhes traga nem mesmo 1.000 reais por mês.
O que fazer então? A campanha da Prefeitura contra a esmola é importante, mas não basta. Poderíamos, também, refletir sobre a iniciativa do Grameen Bank, fundado por Muhammad Yunus, prêmio Nobel da paz em 2006 e criador da idéia do micro-crédito. Depois do sucesso dos empréstimos de 20 ou 30 dólares para mulheres pobres de Bangladesh, Yunus resolveu experimentar empréstimos para mendigos. Começaram com 2 mil, apenas para experimentar. Hoje o programa contempla mais de 100 mil, com baixíssima taxa de inadimplência. Desse montante, mais de 10 mil já deixaram a mendicância, transformando-se em vendedores ambulantes. O resto permanece com as duas atividades, vendem e pedem.
Talvez essa iniciativa não seja condizente com nossa cultura, nosso ‘jeitinho’ brasileiro de ser. Mas não custa ver como funciona e, quem sabe, experimentar.
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