Envelhecer


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O mundo atual se transforma rapidamente. O desenvolvimento tecnológico impacta a dinâmica do conhecimento e facilita o acesso à comunicação. Todas as áreas do conhecimento se beneficiam desse processo e ampliam sua capacidade de melhorar a experiência humana na face da terra.

Até mesmo envelhecer já não é como antigamente. Para além de uma medicina mais avançada e acessível, a preocupação com a saúde e a qualidade de vida, o acesso ao conhecimento e uma ‘folga’ maior no orçamento fazem nossos idosos pessoas cada vez mais ativas e participantes da vida social, ao contrário do que experimentávamos há algumas décadas atrás.

Matéria publicada pelo Comércio no domingo, 09/10, mostra que Franca conta hoje com 15.683 pessoas com mais de 69 anos, um crescimento expressivo ante os 9.898 que havia em 2000. Além disso, cerca de 150 se aposentam por mês, ainda com bastante saúde e disposição para continuar vivendo e buscando novas experiências.

Esse cenário é bastante significativo. Se considerarmos que ele se repete em várias cidades do mundo é possível inferir que estamos melhorando. Com mais qualidade de vida e com mais recursos financeiros, o idoso deixa de ser visto com o preconceito que lhe era reservado antigamente. A convivência entre as várias gerações acaba melhorando e sua maior expectativa de vida pode ser ‘saboreada’ com mais dignidade e respeito.

Dentro desse contexto, surgem enorme possibilidades de negócios. Como ensinava Peter Drucker, a demografia é o melhor espaço de pesquisa para aqueles que buscam empreender. Ao analisar seus números percebemos as tendências. No caso específico dos idosos já está claro que eles são um nicho de mercado importante.

Continuam, é verdade, clientes assíduos das farmácias. Mas essas mudanças lhes permitem ir além das necessidades. Como todos os homens, os idosos passam a ser também guiados pelos desejos. Viagens, espaços gastronômicos ou de lazer adequados, entre vários outros produtos e serviços passam a ser potencialmente possíveis, esperando por mentes e mãos criativas que os ponham em funcionamento.

Porém, há que se ter atenção. A transformação da pirâmide etária não traz apenas oportunidades. Coloca também ameaças. De certo modo, exige um planejamento prévio e mais acurado das políticas públicas, pois seu impacto social será forte ao longo do tempo, sobretudo na economia.

Um mundo cheio de idosos felizes, dispostos e aposentados seria com certeza uma conquista importante do mundo democrático. Porém, não se sustentaria sem uma base de jovens suficientemente forte para ampará-los.

A julgar pelo número de aposentadorias hoje solicitadas, pela expectativa de vida do brasileiro e pela taxa de fertilidade de nossas mulheres é melhor começarmos a pensar nessas políticas públicas antes que os problemas nos atropelem no futuro.

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