Fábricas investem mais para cumprir normas de ergonomia


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Há um ano, durante seu expediente, o cortador de amostras Alemar Lopes Pontes, 54, transportava o couro a ser cortado nas costas, um peso de quase 40 kg. No final do dia, ele sentia muito cansaço e dor na coluna. Neste ano, ele passou a carregar o couro em um carrinho manual. Resultado: trabalha mais feliz e mais disposto. “Antes, pelo menos uma vez por mês um trabalhador reclamava de dor nas costas. Desde a compra do carrinho esse problema foi sanado”, afirma Marco Antônio Mendes, gerente geral da produção do Calçados Jota Pe.

Segundo Lázaro Antônio Reinaldi, gestor de Recursos Humanos do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), muitas fábricas francanas ainda precisam se adequar à NR-17 Ergonomia, a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece parâmetros para a adaptação das condições físicas e ambientais de trabalho dos trabalhadores.

“É preciso quebrar paradigmas. Muitas empresas foram fundadas pelos próprios trabalhadores, que não têm noção de ergonomia”, avalia.

O lançamento agora da Cartilha de Ergonomia na Indústria Calçadista - Diretrizes para a Segurança e Saúde do Trabalhador (leia texto na página 11) deve auxiliar as empresas, principalmente as pequenas, a implantar melhorias para a qualidade de vida dos sapateiros. Além da NR-17, outras 33 normas regulamentadoras devem ser seguidas pelos calçadistas.

A Calçados Jota Pe foi fundada há 51 anos, tem 230 funcionários e produz 3 mil pares/dia. A indústria começou a implantar a ergonomia na produção de maneira gradativa há seis anos com a adoção de medidas práticas.

“Trocamos as cadeiras de madeira pelas ergonômicas (com encosto e ajuste de altura), adequamos a altura das máquinas, as facas do balancim hoje são separadas por coleção e ficam ao lado da máquina, instalamos climatizadores para manter a umidade do ar no barracão, entre outras melhorias”, diz Célio Jacintho Andrade, consultor técnico de Segurança do Trabalho.

Houve também um trabalho de conscientização dos trabalhadores da fábrica de que a mudança na postura de trabalho era para melhor.

SENAC
O Senac tem um programa para avaliar a saúde do trabalhador. Basta que o empresário agende um dia para que os alunos dos cursos de Enfermagem e Massoterapia façam o atendimento gratuito dos funcionários, com direito a teste de glicemia, aferição da pressão arterial e massagens.

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