Lançada há três meses, a Cartilha de Ergonomia na Indústria Calçadista - Diretrizes para a Segurança e Saúde do Trabalhador começou a ser distribuída gratuitamente em Franca na semana passada durante um encontro com empresários, sapateiros e estudantes.
A publicação de 96 páginas foi elaborada a partir de três anos de estudo, sendo finalizada pela Comissão Tripartite Paritária de Ergonomia, composta por representantes da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), do Ministério do Trabalho e Emprego e do Sindicato dos Trabalhadores.
A doutora em Ergonomia Jacinta Sidegum Renner, de Novo Hamburgo (RS), coordenadora técnica da cartilha, ressalta que não havia nada específico na Norma Regulamentadora 17 do Ministério do Trabalho e Emprego para o setor calçadista, que é muito genérica. “O setor calçadista tem algumas peculiaridades, muito envolvimento de mãos e dedos nas atividades, um trabalho diferenciado cheio de detalhes.”
A publicação tem como objetivo auxiliar os empresários na implantação de melhoria de qualidade de vida dos funcionários. Segundo Jacinta, a linguagem da cartilha é específica para o calçadista e reúne todas as etapas do processo industrial desde o início da matéria-prima até o final do produto acabado.
“Foram rastreados todos os momentos tentando esclarecer a questão do mobiliário, das posturas adotadas, as máquinas e equipamentos, a altura das pessoas e das máquinas, inclusive de organização do trabalho, ou seja, qual é o melhor jeito de trabalhar.”
Jacinta reforça que a empresa que se preocupa com a saúde do trabalhador só ganha em resultados. “Ainda há bastante afastamentos do trabalho em função de adoecimento, de LER (lesões por esforços repetitivos), Dort (distúrbios osteomusculares) até porque o trabalho ainda é um tanto repetitivo e acaba implicando em dores e desconforto”, avalia. Ela afirma que a pessoa que não se sente bem, não consegue trabalhar bem. “Essas questões ainda podem implicar em acidentes de trabalho que são agravantes e a empresa perde muito.”
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