O custo dos acidentes


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O problema é bastante complexo. Os acidentes de trânsito se avolumam e os indicadores que temos parecem apontar para o crescimento dessa tendência. As vendas de carros e motos batem recordes seguidos, mesmo com um trânsito cada vez mais caótico, até em cidades de médio porte. Os volumes e modelos, inclusive, variam e se multiplicam constantemente.

A explicação é que esses produtos já se incorporaram ao modo de vida das pessoas. Não são apenas meios de transporte. Vão muito além, pois se transformaram em estilo, algo que diz respeito à imagem e que nos faz desejá-los não pelo que são, mas pelo status que poderá nos trazer. Geralmente, os escolhemos pela potência e pelo design, não por sua funcionalidade ou por qualquer questão ligada diretamente ao deslocamento.

Para um país que apenas recentemente conseguiu trazer para o consumo de motos e carros grandes parcelas de sua população de baixa renda, é possível inferir que essa ânsia e esses desejos ainda estão em plena gestação. As montadoras mundiais, por sua parte, já sabem disso. Não é à toa que aportam aqui sofregamente, em busca de margens de lucro inatingíveis em mercados mais maduros.

Nesse sentido, teremos cada vez mais veículos, todos diferenciados, chamativos e potentes. O que é extremamente positivo, mas que, também traz em si um cenário perigoso, sobretudo quando pensamos em nossos jovens, os principais protagonistas dos acidentes de trânsito. Quando um jovem consegue comprar uma moto ou carro é natural que se sinta orgulhoso e sente que será admirado e ‘respeitado’ por conhecidos e desconhecidos. No rompante comum à juventude, acelera o veículo, muitas vezes indiferente às normas e aos códigos do trânsito, e desafia os limites. O resultado, todos conhecemos.

Para além dessas questões culturais, no entanto, é importante lembrar que nossa já desgastada e problemática estrutura urbana, conseqüência de uma urbanização rápida e sem planejamento, com certeza não conseguirá acompanhar esse crescimento. Nossas ruas não conseguirão dar vazão a tantos carros, motos, bicicletas e pedestres. Em função disso, os acidentes tendem a ser cada vez mais freqüentes e inevitáveis, para além das brigas, das discussões e do estresse.

Se acrescentarmos a esse quadro as ‘cores mais trágicas’ das bebidas e das drogas, ambas bastante disponíveis nesses tempos de individualismo exacerbado e de liberdade excessiva, poderemos imaginar a bomba relógio que pode estar se armando para o futuro.

O problema é de difícil solução, não há dúvida. Seus componentes são econômicos e culturais. As mudanças, portanto, demandariam tempo. Nesse sentido, sobra para as autoridades o rigor da punição, pelo menos no curto prazo.

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