‘Se tem o dinheiro, eles não vão sair da rua’, diz Roberto Nunes


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Para resolver os problemas de mendicância, as autoridades de Franca são taxativas e apontam como melhor caminho parar de dar dinheiro aos moradores de rua. As doações são a fonte de renda para sustentarem o vício em drogas e álcool. “O cidadão francano precisa se conscientizar que ao dar a moeda de R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1, que todo mundo tem no bolso, está sustentando o vício e impedindo que a pessoa mude de vida. Se tem o dinheiro, eles não vão sair da rua”, disse o secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha.

Segundo o secretário, os pedintes relatam que ganham R$ 50 até R$ 100 por dia em doações. Um deles, que fica na Praça João Mendes, conseguiu emprego como armador de ferragem numa construção, mas abandonou o serviço depois de seis meses e disse que na rua recebe mais dinheiro. “Se eles conseguirem R$ 50 por dia, terão R$ 1.500 no fim do mês para gastar com drogas, carotinhos de pinga e prostitutas, porque comida eles costumam ganhar”, disse Roberto.

No período do Natal, a população de moradores de rua tende a aumentar e saltar de 70 para 110 pessoas na cidade. Em dezembro, a campanha “Não dê dinheiro, dê oportunidades”, realizada pela Prefeitura em parceria com a Polícia Militar, Guarda Municipal, Ministério Público e outros setores desde agosto, será intensificada. Serão distribuídos panfletos, adesivos, cartilhas e outros materiais para incentivar a mudança de comportamento para que as pessoas não doem dinheiro.

Se forem ameaçadas pelos moradores por se negarem a ajudá-los, as pessoas devem acionar a Guarda Municipal ou Polícia Militar. “Antigamente vadiagem e mendicância eram crimes e hoje não são mais, por isso não temos amparo legal para retirá-los das ruas ou forçá-los a ir para o Abrigo Provisório. Agimos se houver queixa de ameaças”, disse o secretário municipal de Segurança e Cidadania, tenente Sérgio Buranelli. O contato da Busca Ativa é 3703-0666.

Rocha disse que a Prefeitura oferece assistência integral aos pedintes: alimentos, roupas, tratamento contra a dependência química, atendimento médico e encaminhamento para o mercado de trabalho, além de tentar resgatar o vínculo familiar deles. “Oferecemos oportunidade de saírem das ruas e terem uma vida digna, mas eles não querem abrir mão do que ganham, parados, sem trabalhar.”
 

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