Considerada uma das áreas mais nobres de Franca, a Avenida Major Nicácio abriga uma verdadeira cidade. É endereço de lojas, restaurantes, edifícios, agências bancárias, escolas e imobiliárias. Em seus dois quilômetros e meio de extensão, tem áreas em que o metro quadrado chega a custar R$ 2 mil. Mas esses atributos, em alguns trechos, são ofuscados pela presença de pedintes.
A Secretaria de Ação Social estima que existam em Franca 70 moradores de rua e praticamente metade deles - 32 - se concentra na Major Nicácio, onde abordam as pessoas para pedir dinheiro aproveitando a alta rotatividade de carros.
O programa Busca Ativa, responsável por encaminhá-los para o Abrigo Provisório, fez um mapeamento da avenida e traçou o perfil dos pedintes. A via pode ser dividida, segundo a Prefeitura, em três grupos. O de usuários de crack, que costumam andar na avenida entre o cruzamento dela com a Avenida Eliza Verzola Gosuen e a Alonso y Alonso. Eles viviam no prédio conhecido como “piscinão” e agora ocupam uma das pontes do Córrego Cubatão. Outra turma percorre o trecho acima da Faculdade de Direito até a Igreja Nossa Senhora das Graças e os homens atuam como flanelinhas. Eles são moradores de Franca - dos Jardins Paulistano e Brasilândia. A Praça João Mendes, próxima à Padaria Estrela, é o ponto frequentado por viciados em álcool. A maioria deles migrou de outras cidades.
Comerciantes e populares se sentem intimidados e relatam ameaças e agressões. F., 56, é corretor de imóveis e trabalha próximo à Praça João Mendes. Também costuma fazer compras no comércio daquela região. Por várias vezes foi parado pelos moradores de rua pedindo dinheiro. Presencia praticamente todos os dias os problemas no local. “É uma bagunça constante. São pessoas desocupadas que ficam abordando os motoristas e promovem algazarra.”
F. disse que já presenciou brigas violentas. “Primeiro que eles bebem pinga como se fosse água. Se deixar, eles se matam.” J., que tem uma loja em frente à praça, flagra, além do consumo de álcool, o de drogas. “O uso de drogas aqui é impressionante. É comum ver eles bebendo, passando o cigarro de maconha um para o outro e as latinhas para fumarem crack.”
Em outro ponto da Major Nicácio, o drama é parecido. Mesmo com o fim do “piscinão”, os usuários de drogas ainda perturbam. “Tem muita gente pedindo nesta área. Eles até enfiam a cabeça no vidro do carro para pedir dinheiro. Os clientes sempre se queixam para a gente disso e dizem que acabam ajudando por insistência e medo deles”, disse Marília Andrade, 22, que é operadora de caixa em uma farmácia e acompanha o movimento na avenida todos os dias das 7 às 15 horas. O alambrado do “piscinão” está arrebentado e os vizinhos têm presenciado consumo de droga no local.
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