A greve dos bancários, que completou duas semanas terça-feira, forçou a população a migrar para as 17 lotéricas de Franca. A paralisação que atingiu 16 das 39 agências da cidade fez com que as filas das casas crescessem até 50%, principalmente após o dia 5 deste mês, quando os trabalhadores recebem seus salários. Todas as unidades paradas em Franca são do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
Em quatro lotéricas consultadas pela reportagem, foi percebido um aumento no movimento. Os serviços que mais cresceram foram pagamentos de contas (como água e energia elétrica), de boletos em geral e saques em dinheiro.
Esse fenômeno teve início no final do mês passado, quando as primeiras agências bancárias pararam seus serviços. Segundo o representante de imprensa do Sindicato dos Bancários de Franca, Rogério Silva, a última negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) aconteceu no dia 23 de setembro. Desde então, as conversas não foram retomadas e já são mais de nove mil bancos paralisados no País. “Essa é a maior greve do setor bancário dos últimos 20 anos. A indignação dos bancários é muito grande.”
A mobilização refletiu diretamente na rotina das lotéricas. Na Franlotérica, localizada na Vila Santos Dumont, todos os serviços prestados tiveram aumento. A proprietária Edna Moré Miguel destacou o recebimento de benefícios. “(Cresceram) os benefícios (seguro-desemprego, PIS, fundo de garantia), porque forçosamente eles (clientes) têm que vir para cá.”
Na Lotérica Três Colinas, na Vila Aparecida, a gerência afirma que o aumento de clientes foi de até 50%. Na última segunda-feira, após as 17h, quando os trabalhadores saíram das empresas, a fila chegou a ter 50 pessoas. Na Lotérica Francana, o movimento foi intenso durante toda a segunda. O proprietário Mauro Ferrari, que investiu e comprou mais dois guichês e agora está operando com seis caixas, assustou-se com o número de pessoas. “O movimento aumentou demais. Surpreendeu a gente. Aumentou no mínimo 30%. Foi algo fora do comum, abri às 8h e já tinha fila na porta.”
Irair Polo, proprietário da Leporace Casa Lotérica, teve que pedir ajuda da Polícia Militar para organizar a fila, que dobrava a esquina no fim da tarde de segunda. “Tinha cerca de 100 pessoas na fila, sem brincadeira.” A professora Daiane Aparecida Bastos, moradora no Jardim Paineiras, procurou a lotérica para pagar suas contas. No começo da tarde de terça-feira, sentiu a diferença. Na fila, havia 30 pessoas. “É complicado ficar na fila no sol.”
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