O Interior no século 21


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Visão global, ação local. Há muitos anos São Carlos, no centro do Estado, fez opção pela pesquisa tecnológica com foco no futuro

Emergiu no município uma riquíssima teia formada por universidades, centros de pesquisas, cérebros e empresas de base tecnológica, além de uma sólida estrutura de apoio logístico e empresarial. A cidade abriga um doutor para cada 180 habitantes; no Brasil, a média é de um doutor para grupo de 5.423 habitantes. Cerca de 200 empresas compõem o polo tecnológico. A média anual de registros de patente é de 14,5 por 100 mil habitantes; no país, essa relação é de 3,2 patentes por 100 mil habitantes.

Os frutos dos investimentos começam a aparecer. Foi dada a largada esta semana da Rede Metropolitana de São Carlos (Rede Sanca). A rede permitirá fluxo de informações digitais entre laboratórios de pesquisa, escolas e universidades, além de compartilhamento de dados entre unidades de saúde. O futuro em São Carlos é agora. O século 21 já começou. Esse é apenas um exemplo do enorme potencial criador do Interior Paulista.

Integração de dados
A rede recém inaugurada passa a ser gerida por um consórcio formado pelas seguintes instituições: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que lidera o processo; Universidade de São Paulo (USP); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Hospital-Escola; Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos (ParqTec); Centro Universitário Central Paulista (Unicep); Centro Municipal de Especialidades (CEME); e Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (IPEM).
O Interior Paulista sai à frente porque se trata da primeira rede de alta velocidade a ser inaugurada como parte do recente programa de expansão das Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep), sistema coordenado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), organização responsável pela Internet acadêmica nacional (rede Ipê). O objetivo é integrar o acervo acadêmico nacional em cidades do interior em todos os Estados. Utilizando tecnologia óptica, a rede paulista tem 27 quilômetros de extensão e interliga as instituições em velocidade de banda larga de 1 Gbps (gigabit por segundo).

Ciência
Para o diretor da RNP, Nelson Simões da Silva, a ampliação da infra-estrutura e a interligação entre as instituições de ciência e tecnologia é fundamental para o desenvolvimento e inovação da ciência no Brasil. “Esse é um marco de uma política que tem ampliado e alavancado o crescimento da educação e a sua interiorização no Brasil”, afirma. Agora, as instituições participantes já podem trocar informações com agilidade e utilizar aplicações avançadas de comunicação, o que possibilita a ampliação das atividades de cooperação científica. Simões também aponta a importância da formação de redes de alta velocidade no processo de inclusão digital e crescimento das estruturas das cidades do interior.

Potencial no Interior
“Os campi (plural de câmpus universitário) no Interior são uma espécie de âncora para o processo de inclusão digital no Brasil. São importantes para o desenvolvimento do ensino e pesquisa, mas também para o desenvolvimento dos governos, dos negócios e da vida das cidades”, diz. Regina Borges de Araújo, coordenadora de Comitê Gestor da Rede de São Carlos Sanca e docente do Departamento de Computação da UFSCar, acredita que a rede potencializa novas iniciativas e aplicações que podem impulsionar o desenvolvimento da cidade. Com recurso de rede de alta velocidade, instituições parceiras podem colaborar em projetos nas áreas da saúde, educação, segurança, vigilância tecnológica, dentre inúmeras outras.

No país
A Redecomep é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e custeada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que prevê a instalação de redes de alta velocidade integrando as principais instituições de ensino e pesquisa em 27 cidades brasileiras. Todas as redes metropolitanas serão interligadas à rede Ipê, que conecta cerca de 500 instituições de ensino superior (IES) e centros de pesquisa em todo o País e atende hoje mais de um milhão de usuários.

Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br

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