É possível estudar a história da educação brasileira a partir de uma perspectiva arquitetônica, pelo menos desde a proclamação da República, momento em que nossas autoridades começam a se preocupar com a construção de prédios específicos para a educação.
De certa forma, os edifícios passaram a fazer parte das preocupações de todos aqueles que se preocupavam em reformar o sistema educacional brasileiro. Se a educação era fundamental para se alcançar o progresso, então deveria ser ministrada em prédios apropriados à atividade educacional, e não em espaços improvisados.
Nesse sentido, o edifício escolar assumiu uma nova simbologia. Tornou-se portador de uma identificação arquitetônica que diferenciava as escolas dos demais edifícios públicos. Uma identificação bastante positiva, já que os primeiros prédios traduziam uma atitude otimista com relação à escola e os arquitetos dialogavam com as propostas pedagógicas.
Dessa forma, sua arquitetura era imponente, com hall de entrada, escadarias suntuosas e um adequado equilíbrio entre conforto, funcionalidade e estética. Suas janelas eram grandes e pesadas, com acabamento em materiais nobres, mostrando que para além da beleza havia também uma evidente preocupação com a iluminação e a ventilação.
Porém, esses prédios e essas escolas eram para poucos. A maior parte das crianças brasileiras não conseguia acessá-los. Apenas os percebia em sua grande imponência, sonhando um dia em subir-lhes as escadas.
Conforme o tempo foi passando, no entanto, a escola foi se abrindo a outros estratos da população. Mais massificada, foi aos poucos perdendo sua personalidade arquitetônica. Aos poucos, foi deixando para trás a suntuosidade, tornando-se cada vez mais simples e comum. A preocupação com a estética e o conforto praticamente desapareceu. Com a chegada das classes de mais baixa renda e com a partida das mais abastadas para as escolas privadas, as públicas foram se transformando em espaços bastante feios e acanhados, com certeza pouco interessantes, motivadores e produtivos para o aprendizado.
Esse processo, no entanto, não pode justificar o descuido de nossas autoridades com a Escola Municipal ‘Frei Lauro de Carvalho Borges’, conforme noticiou o Comércio na sexta-feira, 07/10. A matéria mostra que a Secretaria de Educação precisou quebrar a parte superior de uma parede para que as salas pudessem ter um pouco mais de luminosidade e ventilação.
Para um projeto que data de 2002, com tanta tecnologia e conhecimento disponíveis, é imperdoável erros de construção tão absurdos, erros que talvez não fossem cometidos nem mesmo por alunos de arquitetura.
A única explicação possível é o desdém de nossas autoridades para com a escola pública.
Se ainda entendemos a escola como um ‘passaporte’ importante para o futuro, é bom que comecemos a pensar melhor na arquitetura de nossas escolas. Ninguém aprende de forma adequada se mergulhado na bagunça, no calor, no aperto e na feiura.
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