Convidados do Senhor


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Somos convidados a participar do banquete que Deus preparou para todos os povos

Para os judeus ‘comer e beber’ expressava o encontro de irmãos entre si e com Deus. Estar à mesa com alguém é fazer aliança com ele. Nos textos que serão proclamados na celebração eucarística, somos convocados para o banquete de Deus e somos enviados por ele para convidar a todos para a mesa da nova aliança. Vejamos o significado das leituras:

A primeira leitura (Isaías 25) conta que Deus, num determinado tempo, vai organizar um banquete. O profeta afirma que Deus vai agir como um grande soberano que conseguiu uma grande vitória e quer comemorá-la com um festa magnífica, digna de um soberano como ele. No cardápio haverá iguarias finas, carnes saborosas e variadas, vinhos excelentes e capitosos. E os convidados? Todos os povos da terra, sem qualquer exclusão. Sentar-se-ão na mesa aqueles que antes se tinham odiado por longo tempo, os que tinham lutado entre si para roubar as riquezas, as terras, os bens uns dos outros.

Qual é o motivo da festa? É a comemoração de tudo aquilo que para o homem é morte e derrota, isto é, o escárnio, a dor, a fome, a doença, o fracasso. Tudo aquilo que não é vida será eliminado. O profeta está falando dos tempos messiânicos. Com a vinda do Messias, qualquer situação de morte será transformada. Haverá somente alegria, felicidade, pois, acontecerá a festa, o banquete do Reino. Quando a humanidade conhecer e viver os ensinamentos de Jesus Cristo, tudo será novo, pois, o império da maldade perderá força e reinará a bondade.

Segunda leitura: Filipenses 4.
O trecho da segunda leitura é o encerramento da carta de São Paulo aos Filipenses. São poucas palavras, entretanto, comoventes e, para nós, oferecem uma grande lição. Durante a nossa passagem por este mundo, a situação dos seguidores de Jesus e cheia de altos e baixos.Paulo nos ensina a viver bem em qualquer situação, seja de penúria, seja de abundância. O apóstolo adquiriu sabedoria tirada dessas experiências que ele vivenciou.
Paulo sabe que a Deus tudo pertence e que Deus é rico em misericórdia. Por isso o apóstolo se mostra inteiramente confiante toda vez que passa por dificuldade. Ele confia na graça de Deus e, portanto, está preparado para passar por qualquer situação.

Evangelho: São Mateus 22.
O trecho do evangelho fala de um banquete nupcial. Núpcias ou casamento, no idioma de Jesus, significam o mesmo que “aliança”. A aliança que Jesus nos trouxe se dá na vida nova que, morrendo pregado na cruz, ele conquistou para nós. A nova aliança significa viver livre das garras que o pecado nos impõe. O texto diz que todos são chamados a ingressar na nova aliança realizada em Jesus, mas a resposta a esse convite nem sempre é positiva ou adequada, como se percebe nas atitudes dos candidatos.
Há quem recuse o convite apesar de nada ter-lhe sido exigido, mas, ao contrário, tudo ter-lhe sido oferecido. Essa atitude significa a rejeição ao amor e à gratuidade de Deus, muito comum na sociedade atual. Muitas pessoas não querem nem ouvir falar de Deus. Acham que tudo o que possuem é fruto do esforço pessoal. Deus nada tem a ver com isso. São incapazes de perceber o amor de Deus presente nelas próprias e naquilo que as rodeia. Há quem aceite, mas não use a veste adequada, ou seja, não tenha disposição interna para o seguimento de Cristo. Sua fé é desvinculada da práxis.
O convite a participar do banquete da nova aliança é feito a todos, sem distinção. Para aceitar se torna necessária uma mudança radical, que envolva a totalidade da vida. Estar no grupo de Jesus implica ter atitudes muito iguais às atitudes dele.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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