Setor calçadista estuda reforço de segurança


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SEQUESTRO - A empresária Ely Zelena Bernardes Donadelli, em foto de arquivo, ficou três dias em poder dos bandidos
SEQUESTRO - A empresária Ely Zelena Bernardes Donadelli, em foto de arquivo, ficou três dias em poder dos bandidos

O setor calçadista de Franca está assustado. A notícia do sequestro da empresária Ely Zelena Bernardes Donadelli, 54 anos, dona da indústria de calçados Doctor Shoes, publicada com exclusividade pelo Comércio da Franca, deixou muitos empresários preocupados com a segurança de seus familiares. Alguns já estudam medidas de prevenção. O SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) anunciou que deve mandar um ofício às autoridades pedindo mais segurança.

A empresária foi sequestrada na manhã da última segunda-feira, quando estava a caminho de uma academia de ginástica. Ela passou três dias em poder dos bandidos e foi solta na manhã da última quinta-feira nas proximidades do prédio do Agabê, na Avenida Ismael Alonso y Alonso. A família foi quem a buscou no local. Os sequestradores teriam exigido um resgate de R$ 600 mil. Não há a confirmação se o valor foi pago ou não.

O diretor da Agabê Calçados, José Henrique Bettarello, tomou conhecimento do caso pelo jornal e se disse muito preocupado com a situação. “A gente ouve notícias assim em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. É assustador ver que uma violência dessa pode ocorrer aqui, em Franca. Estamos muito assustados”. Ele e seus irmãos, que também trabalham na empresa, devem se reunir nesta semana para discutir um reforço na segurança deles e de seus familiares. “Temos que nos proteger”.

Paulo Coelho, diretor da Mariner Calçados, também está assustado. “Difícil acreditar que este tipo de violência tenha chegado aqui. O fato é que a polícia precisa agir. Tem que prender os culpados e dar uma satisfação à sociedade”. Ele disse que já adota as medidas comuns de segurança, mas cobra um posicionamento melhor das autoridades. “Eu tenho feito a minha parte. Mas a segurança da população que paga impostos é responsabilidade da polícia. O poder público é que tem que agir”.

O presidente do SindiFranca, José Carlos Brigagão, afirmou que deve pedir mais segurança ao Poder Público em nome dos empresários. “É um absurdo o descaso do poder público com segurança. Temos que tomar uma atitude. Merecemos uma resposta”. Segundo ele, o sequestro deixou muitos empresários preocupados. “Inclusive, recomendo a todos que reforcem a segurança”.

VIZINHANÇA
A família da empresária Ely Zelena Bernardes Fidalgo Donadelli, 54, se mudou recentemente para o Residencial Baldassari. O Comércio esteve ontem no bairro, que fica acima do Terminal Rodoviário. O bairro é pequeno, com apenas quatro ruas, e formado por casas chiques. Os vizinhos entrevistados não sabiam o endereço da família nem do sequestro. “O pessoal aqui é muito reservado”, disse uma das moradoras. “Aqui cada um cuida de sua vida. Não estou sabendo de sequestro na cidade, muito menos de alguém aqui do bairro”, comentou outro morador.

Uma casa na Rua Major Duarte foi comprada recentemente por um casal, mas os vizinhos não souberam informar se é a família Donadelli que mora no imóvel. A casa estava totalmente fechada, com o tapete na porta de entrada enrolado e ninguém atendeu à campanhia. Na lista telefônica não constam os contatos dos moradores desse endereço. Ninguém foi encontrado na fábrica Doctor Shoes no sábado.

Colaboraram Daniel Rodrigues e Nelise Luques

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