‘Praças baldias’


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Várias reclamações já foram feitas. Terrenos públicos, que deveriam servir como áreas de lazer e entretenimento, serviam como depósito de lixo, motel e espaço ‘livre’ para a utilização de drogas. Como conseqüência, os moradores desses entornos eram obrigados a conviver com sujeira, mau-cheiro e ameaças advindas de pessoas drogadas.

O Comércio, inclusive, já repercutiu várias dessas reclamações, mostrando o estado precário em que se encontram esses terrenos. Na última semana, inclusive, visitou alguns desses espaços que se transformarão em praças. O cenário observado, assim como as reclamações, permanecem inalterados. Apenas a esperança dos moradores com o anúncio das novas praças deu um brilho novo à questão.

Sem dúvida, a decisão da Prefeitura é importante para a cidade. Primeiro porque nenhum espaço fica desocupado. Se os cidadãos e o poder público não marcarem presença, o lixo, as drogas, os insetos e outros animais marcarão. Segundo porque o mundo urbano contemporâneo carece de áreas de lazer para amenizar o cotidiano difícil que nossa urbanidade nos impõe.

As cidades vão ficando maiores e dificultando a mobilidade. Se antes poderíamos ir mais facilmente à praça ou às áreas de lazer mais centralizadas, a um clube ou até mesmo às matas e cachoeiras que circundavam a cidade, hoje as coisas estão mais difíceis. Não apenas pela premissa do tempo ou pelo acúmulo de afazeres que nos levam a uma correria constante, mas também pelos perigos atuais que nos impedem de deixar mais livres nossos filhos, o que acontecia com muito mais naturalidade em outras épocas.

No entanto, é preciso fazer uma observação. Esse investimento de mais de 1 milhão de reais corre o risco de ir para o ‘ralo’ se não houver uma preocupação constante com esses espaços, tanto por parte do poder público como da comunidade.

Reportagem publicada no Comércio, no dia 02/08, mostra que boa parte de nossas praças atuais estão relegadas ao abandono, sofrendo os mesmos problemas experimentados por esses terrenos que ainda não foram promovidos a praças. Poderíamos até ironizar: ‘praças baldias’.

De nada vai adiantar alguns bancos, umas poucas calçadas para se caminhar e mudas de árvores espalhadas pelo terreno. Se não houver um projeto de ocupação e se a comunidade não se dispuser a ele, em pouco tempo essas praças talvez estejam novamente abrindo suas portas ao lixo e à podridão hoje reclamados.

Nossas crianças e jovens já não são os mesmos. Praças sem nenhum grande atrativo não conseguirão ‘fisgá-los’. Será preciso pensar em estratégias mais elaboradas. Campeonatos, disputas ou jogos, por exemplo, talvez possam ser um caminho.

De qualquer forma, mesmo que haja grandes atrativos, é fundamental que a comunidade deixe de ‘ver a vida mais vivida que vem lá da televisão’, como cantava Chico Buarque, e venha ocupar suas praças, espaços importantes da convivência social.

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