Você alguma vez pensou em ser um papiloscopista? Claro que esta opção foge a regra do médico/advogado/celebridade/jogador de futebol/ astronauta, que geralmente é o plano de carreira de grande parte da população. Mas, para quem não conseguiu se realizar em alguma das profissões citadas e ainda procura um caminho a seguir, a papiloscopista se transforma em uma boa opção. E a Polícia Civil irá abrir um concurso público para 238 vagas para todo o Estado de São Paulo, sendo que muitas delas (o edital contendo o número exato de vagas para cada função ainda não foi publicado pela Polícia), serão destinadas a papiloscopistas. O salário não é de se ignorar. A remuneração mensal varia entre R$ 2,6 mil e R$ 2,8 mil, dependendo do tamanho da população que vive na cidade em que o profissional será remanejado.
Mas afinal de contas, do que se trata essa tal de papiloscopia? “É a ciência que se utilizada das papilas dérmicas presente na ponta dos dedos das mãos e dos pés para a identificação de uma pessoa”, afirma o papiloscopista e chefe do setor de identificação seccional de Franca, Antônio Batuira Souza, que está na profissão há mais de 20 anos. “Apesar do avanço tecnológico (em técnicas de identificação), como exames de DNA, por exemplo, as digitais ainda são a maneira mais prática e barata de saber, realmente, quem é aquela pessoa, além de ser praticamente à prova de erros. Não existem duas digitais iguais no planeta, nem mesmo a de gêmeos idênticos”, diz.
Para exercer a profissão na Polícia Civil, o candidato precisa ter o ensino médio completo. Caso seja aprovado no concurso, o aprendiz de papiloscopista irá para São Paulo fazer um curso preparatório na Academia de Polícia Civil de São Paulo (Acadepol). Estes profissionais também atuam no cenário nacional, mais precisamente na Polícia Federal. O caminho para chegar ao cargo de papiloscopista da PF é o mesmo que o da PC: o concurso público. A diferença é que o concursado precisa ter o curso superior completo. O salário inicial é de mais de R$ 7 mil.
“Aqui (em Franca) eu faço o serviço somente na área de identificação civil. Ou seja, organizo os novos documentos que são criados em toda a região, verifico a autenticidade no nosso catálogo e aí é emitido a documentação original. Também existem os casos de falsidade ideológica e sou eu que preciso verificar quem é quem na história”, diz Batuira.
Ainda de acordo com Antônio, todos os papiloscopistas estão ligados ao trabalho policial, e atualmente só as polícias Civil e Federal são capacitadas para a realização de cursos preparatórios para a função. “Não existe outro curso que qualifique uma pessoa a ser um papiloscopista que não seja os oferecidos pelas polícias. Somente quem fez estes treinamentos estão aptos a emitir um laudo técnico, garantindo que a identificação foi feita de maneira correta. Já aconteceu de algum técnico ser requisitado por algum advogado ou juiz para fazer uma análise mais profunda sobre determinado caso, porém o campo de atuação se restringe ao policial.”
Mas cuidado. Batuira alerta para uma confusão muito comum entra a sua profissão e os peritos criminais. “Os peritos examinam toda a cena onde aconteceu o crime. Existem casos em que eles encontram alguma digital suspeita, porém não são eles que examinam. A amostra da digital é enviada para São Paulo e lá ela é enviada para o catálogo, que atualmente é totalmente digital. Horas depois a pessoa já foi identificada.”d
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.