Reportagem de Daniel Rodrigues e Nelise Luques, da Redação
A empresária francana Ely Zelena Bernardes Donadeli, 54, sócio-proprietária da indústria de calçados Doctor Shoes, foi sequestrada e mantida refém por uma quadrilha de assaltantes. Ely passou três dias em cativeiro e só foi libertada pelos criminosos na manhã da última quinta-feira. Os sequestradores pediram resgate de R$ 600 mil, mas não há confirmação do pagamento. A família não fala em sequestro e a polícia não divulga detalhes sobre o crime para não atrapalhar as investigações. De acordo com pessoas próximas à vítima, ela está em casa e passa bem.
O crime ocorreu na manhã da última segunda-feira em Franca. A empresária foi rendida por três assaltantes por volta das 7 horas, quando estava a caminho de uma academia de ginástica. Ely foi dominada pelos sequestradores e levada em seu carro. A informação que a vítima estava em poder dos bandidos chegou para a família poucas horas depois. A família da empresária recebeu uma ligação de um homem que dizia estar em poder de Ely e que se tratava de um sequestro. No primeiro contato, o negociador informou que ligaria depois dando mais detalhes sobre o crime.
Na mesma manhã os sequestradores realizaram um novo contato. Mais uma vez o negociador da quadrilha disse estar com a empresária e exigiu R$ 600 mil para libertá-la viva. Para comprovar que tinha Ely em seu poder, o marginal informou que eles haviam abandonado o veículo dela entre a ponte do Jardim Vera Cruz e o Paineiras. O carro foi encontrado no local indicado pelos bandidos.
A Polícia Civil foi comunicada e o Grupo Antissequestro da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e o SIP (Setor de Inteligência da Polícia Civil) passaram a acompanhar as negociações. Durante as 72 horas em que a empresária foi mantida refém em um cativeiro ainda não descoberto, a família foi orientada pelos policiais sobre como deveria proceder. Às 5 horas de quinta-feira, a francana foi libertada pelos sequestradores. Nem a polícia nem a família falam sobre o pagamento do resgate exigido pelos criminosos.
Até o fim da tarde de ontem, o delegado Márcio Garcia Murari negava o crime contra a empresária. “A DIG não confirma nenhum sequestro na cidade”, disse o delegado. O Setor de Inteligência da Polícia Civil, no entanto, confirma a existência de uma investigação sobre um sequestro mediante extorsão que corre em total sigilo na cidade.
A reportagem do Comércio da Franca acompanhou intensa movimentação durante todo o dia de ontem da equipe de investigadores do Grupo Antissequestro, ligado à DIG. Ely foi vista entrando na delegacia pela manhã, de onde saiu três horas.

Veja como foi o sequestro (acompanhe a sequência da esquerda para a direita na horizontal):
1 - Na manhã de 2ª, empresária sai de casa para ir à academia
2 - Ao descer do veículo, vítima é rendida por três bandidos
3 - Horas depois, anunciaram o sequestro à família
4 - Carro de Ely é deixado em ponto marcado como prova do crime
5 - Sequestradores pedem R$ 600 mil de resgate
6 - A vítima é libertada após 72 horas em cativeiro
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