Existe uma constatação que é impossível de não ser feita: a juventude simpatiza, cada vez menos, com a política, com os partidos, com as discussões que envolvem poder ou a disputa do mesmo. Isso significa deduzir que a nossa juventude está cada vez mais alienada? Acredito, absolutamente, que não. Acredito, que a política atual (ou pelo menos a maneira de fazê-la e os temas abordados) é que está fora da realidade dos jovens.
Outro aspecto que observo na questão da participação dos jovens na política é que a estrutura de comunicação e de informação da sociedade atual não qualifica a formação de cidadãos críticos e participativos, mas, sim, de cidadãos avessos à política porque adquirem uma idéia de que só há maracutaias, favorecimentos, e atos ilícitos na prática política.
As escolas não estão preparadas para a formação cidadã das futuras gerações. Nas escolas reproduzem um currículo obsoleto quanto às transformações e necessidades do presente.
É pouco o compromisso do Estado (em todos os seus níveis federativos) com uma educação que priorize a formação moral, afetiva e sexual das nossas crianças. Falar nesses temas é correr o risco de ser ironizado ou mesmo ser mal entendido. O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, no seu livro ‘Os Sete Saberes necessários para uma Educação do Presente’, defende que é preciso mudar a forma de ensinar para que se possa enfrentar os desafios do mundo atual. Ele critica o conhecimento fragmentado em diversas disciplinas e a falta de conexão do aprendizado com a realidade cotidiana, ou seja, para o que serve o que as crianças aprendem na escola?
Os veículos de comunicação, por sua vez, acrescentam uma dose pesada de miséria, descrença e pessimismo no cotidiano dos jovens, sem falar na deformação dos valores morais e éticos que a televisão, principalmente, ajuda a propagar no meio da juventude.
Portanto, com essas duas estruturas da sociedade atual (escola e mídia) desconectadas da importância da formação cidadã da nossa juventude, é normal que tenhamos jovens avessos à política institucional (partidária ou não) e, pior, descrentes do Estado.
Com a aproximação das eleições municipais do próximo ano, surge uma grande oportunidade para que essas estruturas (principalmente a mídia) modifiquem sua inserção junto à juventude, de forma a contribuir para que eles ‘tomem gosto’ pela política.
Por outro lado (e fundamentalmente) os políticos e candidatos precisam se sintonizar com as transformações que ocorrem no mundo, tanto as boas (tecnologias que tornam a vida melhor, revoluções políticas e de valores, diminuição das distâncias e diferenças entre os povos etc.) quanto as ruins (aumento do consumo das drogas, aumento das desigualdades sociais, aumento das incertezas econômicas para o futuro etc.) e, se quiserem realmente praticar uma nova política, devem escutar os jovens para conhecer o presente e trabalhar pelo futuro.
Afinal, o mundo dos políticos tradicionais e a realidade do mundo moderno, precisam se reencontrar para preparar uma sociedade melhor e para permitir que a política seduza a juventude.
Cassiano Pimentel
Professor universitário e agente de exportação
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