Todos os sistemas naturais e humanos são influenciados pela distribuição, abundância, qualidade e acessibilidade da água. Se no Brasil isso ainda não é um grande problema, em razão de nossas grandes reservas naturais de água doce, em vários locais do planeta a sua escassez já vai se tornando uma realidade, levando, inclusive, alguns países à guerra.
Alguns aspectos dessa questão já são discutidos na área acadêmica, por autoridades políticas e organizações não-governamentais. O grande público, no entanto, ainda não percebeu a importância dessa questão e não conhece suficientemente suas causas e conseqüências.
No Brasil, mais especificamente, essa realidade é bem nítida. Excetuando-se o sertão nordestino, nosso relacionamento com a água sempre foi farto. Em função disso, nossos hábitos históricos nos levaram a uma utilização inadequada da água, o que sempre gerou grandes desperdícios.
Ainda hoje podemos notar vários desses hábitos no cotidiano de nossas casas e nossas cidades. Lavagens ‘intermináveis’ de carros, quintais e calçadas, com mangueiras ligadas enquanto se procede a limpeza. Encanamentos mal construídos que ensejam vazamentos bastante recorrentes. Descargas longas, com o acréscimo de papel higiênico nas privadas, banhos demorados, torneiras pingando nas cozinhas e banheiros e torneiras abertas enquanto se escova os dentes, entre outros gastos desnecessários, são apenas alguns exemplos do uso inadequado da água que recai sobre boa parte de nossa população.
Se no passado ainda não sentíamos esse problema, agora começamos a vivenciá-lo mais de perto. Com o crescimento acentuado da população nas últimas décadas, fomos obrigados a intensificar as atividades agrícolas e industriais. Para suprir o consumo de alimentos e outros produtos fundamentais para o homem moderno foi preciso produzir mais, o que demandou uma utilização mais intensa da água.
Se acrescentarmos a esse cenário de alto consumo e de uso inadequado e intensivo da água a degradação do meio ambiente, a contaminação de nascentes, a destruição de mata ciliar e a derrubada de florestas, entre várias outras ações deletérias do homem sobre seu habitat, não será difícil imaginar que esse racionamento tenderá a repetir-se com uma regularidade cada vez maior.
Óbvio que as empresas responsáveis pelo fornecimento têm, também, que se adequar a essa realidade e buscar soluções. De toda forma, é atitude responsável de autoridades e da população apertarem o cerco contra o uso inadequado da água. Mesmo considerando a dificuldade para se mudar hábitos e atitudes adquiridas ao longo do tempo, é necessário desenvolver estratégias para se atacar o problema. Além da tomada de consciência por parte dos usuários, talvez seja necessário elaborar uma ação fiscalizadora mais eficaz e, eventualmente, pensar em punições que mexam com uma parte sensível do corpo: o bolso. Se as coisas continuarem como estão, o problema da falta de água certamente baterá em nossas portas, mesmo que demore um pouco mais.
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