Liberdade de expressão


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Aimprensa não cabe a criação dos fatos. Cabe o registro, o questionamento. Os fatos são sociais e ocorrem de qualquer forma e serão noticiados, gostem ou não os personagens dos fatos. Na luta diária do cotidiano, os conflitos dos interesses particulares compõem uma rotina que independe da imprensa. Porém, em uma sociedade democrática, cabe a ela publicar e repercutir esses conflitos, não para detratar os envolvidos, ou para macular sua imagem, mas apenas para informar a sociedade, apresentando a ela a forma como se estruturam essas disputas.

Em função disso, muita gente ainda tenta calar a imprensa. Geralmente são pessoas públicas e poderosas, que atuam em defesa de seus interesses. Alguns simplesmente porque não querem ser contrariados, esquecendo-se de que sua atuação pública os torna reféns de explicações perante a sociedade. Outros porque agem de forma a satisfazer seus interesses, mas posam como se fossem defensores do interesse de todos.

Quando arguidos ou surpreendidos pela imprensa, essas pessoas optam pelo ataque. Ao invés de agirem de forma responsável e coerente, de acordo com as atribuições de seus cargos, preferem as ameaças. Talvez por medo, ou falta de saída, apelam para o conflito.

No Brasil, infelizmente, esses casos não são raros. E Franca também os registra. Na última sessão da Câmera, o vereador Paulo Afonso Ribeiro, do PT, avançou sobre o jornalista do Comércio da Franca com o dedo em riste e aos brados. ‘Escoltado’ por um companheiro de partido, gritou impropérios e destilou ameaças, caso o jornal fizesse alguma menção a seu passeio pelo mundo virtual. Acontece que o nobre vereador, um dos articuladores do ‘pacotão’ de aumentos, foi flagrado navegando pela internet em plena discussão desse importante projeto para o futuro da cidade, algo que parece estar ficando comum em nosso Legislativo.

Além de Paulo Afonso, Jepy Pereira, do PSDB, também protagonizou um show antidemocrático. Defensor convicto e confesso dos aumentos, ameaçou e zombou da francana Viviane Araújo, responsável por uma cobertura independente dos trabalhos da Câmara, voltada para as redes sociais. Primeiro ironizou o fracasso da manifestação organizada pela jornalista, já que pouquíssimas pessoas apareceram para protestar. Depois a ameaçou dizendo que no momento certo ela receberia seu ‘troco’. Em seguida, Jepy também desandou os jornalistas da EPTV, dizendo que a emissora só vinha a Franca para falar mal da cidade.

Para além das trapalhadas e desencontros de nossa Câmara, é triste constatar esse autoritarismo barato na casa símbolo da democracia. É lamentável, também, perceber que nossos vereadores não conseguem visualizar que uma imprensa livre é fundamental não apenas para a democracia, mas também para a própria existência do Legislativo. Em qualquer revolução autoritária, ambas as instituições são as primeiras a serem fechadas e perseguidas.

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