Sem efeito


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O jornal Folha de S. Paulo, em sua edição do dia 2 de setembro último, noticiou um fato ocorrido em Minas Gerais com uma menina vitimada pela poliomielite, comumente chamada de paralisia infantil. Como há algum tempo não há registro de casos da doença em nosso País e a vítima tinha sido adequadamente vacinada, concluíram as autoridades de saúde que o poliovírus desenvolveu-se a partir da própria vacina.

De nossa parte, ficamos a nos perguntar: por que, em alguns casos, a vacina não funciona? Por que surtiria efeito contrário ao esperado? Ensina a Doutrina Espírita que a vida na Terra e em todo o Universo é regida pela Lei de Deus, que é sábia e justa. Portanto, podemos concluir que está tudo certo, funcionando sob a supervisão da Sabedoria e da Misericórdia Divinas. Alguém, todavia, poderia aventar a possibilidade de um erro na fabricação da vacina, ou na conservação do produto, ou, ainda, que haja um culpado na ministração inadequada do medicamento. Claro que tudo isso é possível, porque há causas anteriores e causas atuais das nossas aflições. No entanto, há sempre permissão da Lei de Deus. E o que preside os acontecimentos é, justamente, a lei de causa e efeito, segundo a qual só recebemos da vida o que a ela oferecemos.

Assim, provavelmente, a criança, vitimada pela vacina que a deveria proteger, está colhendo o fruto de semeadura realizada em vida passada, comprometendo-se com a própria consciência. O que fez e como fez é do interesse dela e da Lei Divina, de ninguém mais, a não ser como reflexão para aprendizado e para evitar-se comprometimento com a prática delituosa.

Não fora a anterioridade da existência do espírito e não poderíamos, com racionalidade, explicar as inúmeras implicações da existência humana.

Estaríamos submetidos ao acaso, à sorte, ao azar, o que, segundo o Espiritismo, não existe. Tudo é resultado das nossas ações, muitas vezes impensadas, e pelas quais somos os únicos responsáveis. Portanto, a razão está a nos mostrar que devemos, sempre, procurar harmonizar a nossa conduta com as leis universais, para que colhamos bons frutos. Chega a ser uma questão de inteligência.

Evidentemente que o processo de transformação é longo e demorado. Não se muda de uma hora para outra. É, antes, um processo de convencimento do “Eu” indestrutível, na compreensão e na aceitação dos nossos próprios limites e defeitos.

Devidamente conscientizados, confiantes na Misericórdia Divina a nos oferecer inúmeras oportunidades e amparo, pelas forças benéficas dos mentores espirituais, iniciemos a transformação a que nos propusemos, procurando limpar do nosso espírito as nódoas que ainda o infelicitam.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca - IDEFRAN

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