Finalmente, acabou a polêmica. Para o município, infelizmente, o desfecho não foi tão bom. Se pelo menos nos discursos de nossas autoridades já não havia verbas suficientes para a saúde, educação e outros direitos constitucionais largamente desprezados ao longo da história, parece que agora as coisas vão piorar. Manter a máquina pública em Franca ficará bem mais caro a partir de 2013, quando entrarão em vigor os aumentos salariais para vereadores, prefeito, vice e secretários de governo.
Para o cidadão comum, fica difícil compreender a equação, talvez não no sentido de seus percentuais matemáticos, mas sim na lógica moral que os conduz e calcula. Se a cidade ainda não conseguiu resolver o problema da falta de vagas em creches, por exemplo, um problema que já se arrasta há muitos anos, como entender que haverá dinheiro para aumentar os salários de vereadores em quase 30%, o de prefeito em cerca de 50% e o de secretário em 100%?
No caso dos vereadores, sobretudo, esse aumento torna-se ainda mais contundentemente negativo. Por dois motivos básicos. O primeiro é que, ao contrário do prefeito e dos secretários de governo, a vereança não os proíbe, ou mesmo limita, o desenvolvimento de suas atividades ou negócios anteriores. O segundo é que a qualidade e a produtividade dessa legislatura, mais especificamente, são bastante discutidas por toda a população, já um pouco cansada das discussões estéreis, dos projetos inócuos e das trapalhadas em plenário.
De qualquer forma, talvez o principal problema não seja o dinheiro em si mesmo. Dentro da população, há muitas pessoas que consideram a nova remuneração não apenas adequada à relevância dos cargos, mas também fundamental para atrair pessoas idôneas e competentes para exercê-los.
O problema maior é de ordem moral. No limite da democracia e da ética parlamentar, é quase consenso que não se deve legislar em causa própria. Mesmo que boa parte de nossa população não alcance esse raciocínio em sua essência política, como cidadãos da ‘polis’, sua sabedoria popular entende que jamais se deve dar à raposa a honra de zelar pelo galinheiro.
Nesse episódio, se o ‘rolo compressor’ da Câmara desempenhou seu papel, não o fez amparado nos princípios da ética parlamentar. Em linguagem administrativa, poderíamos dizer que a Câmara foi eficiente, mas não eficaz. Eficiente é fazer bem o que deve ser feito. Eficaz é fazer a coisa certa.
Democraticamente, erraram feio. Foram eficazes só para eles mesmos, utilizando-se até mesmo de uma eficiência contraditória. Vereador que se dizia contrário votou pelo aumento. Dá para entender?
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