O rolo compressor mostrou sua força na Câmara e passou por cima da opinião pública. Depois de seis horas de discussões, os vereadores ignoraram as manifestações contrárias e aumentaram os próprios salários para R$ 6,1 mil. Também elevaram os vencimentos do prefeito para R$ 20 mil. O vice e os secretários municipais vão passar a receber R$ 10 mil. O pacotão começa a vigorar em 2013. Foi uma reunião tensa, marcada por trapalhadas, troca de acusações entre os políticos e insultos à imprensa.
Um apagão provocado por uma sobrecarga de energia deixou a Câmara no escuro por cerca de uma hora na abertura das votações. Era o prenúncio de que seria uma sessão sombria. Quando a luz voltou, o rolo compressor entrou em ação. Até mesmo na hora de legislar em causa própria, os vereadores não se entenderam. A aprovação dos aumentos foi precedida de muita confusão que resultou, inclusive, na anulação de um resultado que havia sido desfavorável aos políticos.
O primeiro projeto a ser votado foi o que aumentava o salário do prefeito. Foi rejeitado com sete votos contrários. Ao verem o resultado, os vereadores alegaram que não haviam entendido e que pensavam estar votando em um substitutivo. A Mesa Diretora aceitou as alegações e abriu nova votação. Deu empate. O presidente Marco Garcia (PPS) decidiu pela aprovação. “A fixação dos valores tinha que ser aprovada, caso contrário, os agentes políticos não poderiam receber o próximo salário”, justificou.
Em seguida, seriam analisadas duas emendas propondo valores alternativos ao teto máximo previsto pelo projeto original. Laércinho (PP) propôs que o salário do prefeito fosse de R$ 15 mil e do vice e secretários de R$ 7,5 mil. Seguindo determinação do diretório do PT, Silas Cuba sugeriu que os valores atuais fossem mantidos. As duas propostas foram rejeitadas. Com a decisão, ficou valendo o projeto inicial já aprovado, que previa R$ 20 mil para o prefeito.
Decidido o reajuste para os agentes políticos, os vereadores começaram a discutir o projeto que ampliava os próprios salários para R$ 6,1 mil. O roteiro foi o mesmo da proposta anterior. Os parlamentares deveriam aprovar o projeto para evitar que o pagamento ficasse retido. Na sequência, discutiriam a fixação dos valores. Foi proposto que os atuais R$ 4,8 mil fossem mantidos. Novamente, a emenda foi derrubada pelo plenário.
A vereadora Graciela Ambrósio (PP), virtual candidata a prefeita, que se dizia contrária aos aumentos, votou “Não” nas duas emendas que permitiriam a manutenção dos atuais salários ou, então, a fixação de um valor mais baixo, como havia proposto Laércinho. Com a posição, a delegada ajudou a aprovar os reajustes com o teto máximo. Era o que os adversários esperavam. “Agora, quero ver bater no peito e dizer que é contra”, disse Marcelo Valim (PSDB).
Visivelmente nervosa, Graciela foi à tribuna e tentou se justificar. “Eu sempre fui contra. Votei não por coerência. O projeto é ilegal, pois não tem o impacto financeiro.” Silas Cuba rebateu. “Nós apresentamos emendas e a senhora foi contra. Acabou votando pelo aumento. Agora, não adianta vir com desculpa.”
Terminada a discussão, Jépy Pereira (PSDB), foi à tribuna e defendeu os aumentos. Aproveitou para tripudiar sobre manifestantes que o haviam criticado em redes sociais na internet. Também esbravejou contra a equipe da EPTV que cobria a votação. Antes, Paulo Afonso Ribeiro (PT) já havia tentado intimidar jornalistas do Comércio.
Às 20h30, acabou a sessão. O rolo compressor já havia atingido seu objetivo. O pacotão de aumentos estava aprovado.
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