Câmara tem votos para aumentar salário de vereadores. Resta saber se políticos terão coragem
A Câmara vai decidir hoje se aumenta o salário dos vereadores. Não parece ser uma missão impossível. Pela forma com que o projeto foi apresentado, há votos suficientes para a aprovação. Resta saber se os políticos estão dispostos a arcar com a repercussão negativa. Até o bispo diocesano é contra. A história já mostrou que votar aumento de impostos e de salários costuma ter seu preço. No caso, uma dura resposta da população nas urnas. No ano que vem, tem eleição.
A Lei Orgânica do Município de Franca não é clara sobre a quantidade de votos necessária para se aprovar aumento de salário. Por se tratar de matéria financeira, acreditava-se que dependeria de 2/3, ou seja, dez votos favoráveis. Não foi a interpretação do presidente. Marco Garcia estipulou na Ordem do Dia que a maioria simples dos presentes é o suficiente para a aprovação.
Desta maneira, na hipótese de apenas oito vereadores – quórum mínimo exigido pelo Regimento Interno – estarem presentes à sessão e cinco deles votarem ‘sim’, já será o suficiente para aprovar o pacotão de aumentos. Projetos mais simples e que não envolvem questões financeiras, como a concessão de Título de Cidadão Francano, por exemplo, dependem de dez votos para serem aprovados. Correção de salários e denominação de ruas e próprios públicos, dependem de oito votos. Por que a exigência para os políticos é menor?
Até mesmo entre os vereadores a interpretação que a maioria simples é o suficiente causou estranheza. O grupo contrário ao aumento vai questionar o critério antes da votação.
SALÁRIO X VIADUTO
Certamente, uma decisão terá reflexo na outra. Na mesma sessão em que vão votar aumento de salário, os vereadores devem analisar, em regime de urgência, proposta apresentada pelo prefeito solicitando autorização para abertura de crédito adicional no orçamento no valor de R$ 6,3 milhões. Os recursos são necessários para garantir a construção do viaduto da rotatória do Fórum. Será interessante analisar o posicionamento dos vereadores.
FESTA E AMEAÇA
Em meio à polêmica causada pelo aumento de salário dos políticos, o presidente da Câmara, Marco Garcia, que confirmou a decisão de sair do PP, será recebido com festa na noite de amanhã como o mais novo filiado do PPS. O diretório municipal espera trazer lideranças nacionais do partido a Franca para prestigiar a solenidade. Enquanto isto, a executiva do PP movimenta-se para pedir na Justiça o mandato do vereador. Vai alegar infidelidade partidária.
TESOURA
Quem também está indo para o PPS é o ex-vereador Zezinho Cabeleireiro. Ele obteve 2.480 votos pelo PTB nas eleições de 2008 e era o primeiro suplente do partido. Sua intenção era se filiar no PR, mas como o partido que estava sendo montado pelo grupo do prefeito foi parar nas mãos de Ubiali (PSB), resolveu ir para a legenda que deverá dar apoio à bancada governista na sucessão municipal.
DE VOLTA AO NINHO
O presidente do Centro Comunitário do Bairro Santa Efigênia, Romeu, filiou-se ao PSDB novamente. Ele disputou as últimas eleições para vereador pelo PP e obteve 1.051 votos. Tentará uma vaga na Câmara em 2012, desta vez, com o apoio dos tucanos.
O ÚLTIMO, QUE APAGUE A LUZ
A pastora da Igreja Quadrangular, Míriam de Carvalho, confirmou ontem que também se desfiliou do PP. Ela era a primeira suplente do partido a vereador. Recebeu 2.160 votos nas eleições passadas e era uma das apostas da legenda para 2012. Míriam vai se filiar no PR. Deve ser a vice na chapa liderada por Marco Aurélio Ubiali (PSB) na corrida pela sucessão municipal.
VISITA SURPRESA
O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) foi vistoriar as obras de reforma da rodoviária ontem. Aproveitou a saída para dar uma passada no escritório de Roberto Engler. O deputado estava em São Paulo. Os dois conversaram por telefone. Diante de uma plateia de tucanos, Sidnei perguntou se Engler será ou não candidato a prefeito. Ouviu que a resposta será data no momento oportuno. Ouviu também que seria interessante ele começar a decidir quem será seu candidato caso Engler decida permanecer na Assembleia Legislativa.
TRATOR
Os vereadores de São José da Bela Vista, Hamilton Ferracioli (PTB) e Alexandre Rezende (PSC), protocolaram representação contra o prefeito Zé Dito (PSDB) no Ministério Público. Alegam que flagraram um trator da Prefeitura fazendo serviço em lotes particulares da Fazenda Boa Sorte, em Restinga. A máquina, segunda a denúncia, era operada por um servidor de São José. O promotor Paulo Borges está analisando as imagens.
RASTEIRA
O vereador Laércinho está bronqueado com o prefeito. Gaba-se de ser um bom leiloeiro. É integrante da bancada governista. Mesmo assim, o escolhido para leiloar túmulos no Cemitério da Saudade foi o secretário Jerônimo Sérgio que, aliás, também está indo para o PPS.
Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br
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