Violência preocupa pais e alunos da ‘Torquato Caleiro’


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FECHADO - Alunos aguardam na entrada da EE “Torquato Caleiro” a abertura do portão para as aulas no período da tarde
FECHADO - Alunos aguardam na entrada da EE “Torquato Caleiro” a abertura do portão para as aulas no período da tarde

Não são nem sete horas da manhã. Quatro adolescentes param na calçada e fumam maconha antes de entrar para a aula. Ignoram as pessoas que passam pela rua e o pedido dos comerciantes para se afastarem. Pouco depois do meio-dia um grupo de cinco meninos forma uma roda perto de alunos da 5ª série e um deles dá um soco no olho do outro. A alguns metros da escola, duas irmãs e uma amiga 12 e 13 anos viram a esquina e se deparam com um homem moreno de bicicleta. Ele pergunta as horas e abaixa as calças mostrando o pênis para as três. Enquanto elas desviam, ele avisa: “enquanto não pegar uma dessas meninas não vou sossegar.”

As cenas parecem comuns de uma escola da periferia de São Paulo, mas aconteceram em Franca, em pleno Centro. A violência e consumo de drogas na porta da EETC (Escola Estadual “Torquato Caleiro”) têm deixado pais preocupados e levado medo aos estudantes. Desde o começo do ano, segundo eles, os problemas se agravaram. Na terça-feira, dois episódios aumentaram a preocupação. O menino levou um soco no rosto e um homem mostrou o órgão genital para três garotas. “Tem muita briga na porta da escola. Fico com muito medo de apanhar”, disse um aluno de 12 anos, matriculado na 6ª série. “A gente vê brigas toda semana de tapas, chutes, soco. Teve um dia que as meninas brigaram com canivete. Vem muitos meninos de outros lugares brigar com os alunos por causa de meninas”, disse outra estudante, da mesma idade.

Um comerciante que pediu para não ser identificado trabalha e mora na Rua Major Claudiano, na lateral do prédio da escola. Ele disse que o consumo de drogas no local é frequente. “Aqui em frente o pessoal usa drogas, passa fumando maconha perto de todo mundo sem dar bola. Se você os repreende, costumam partir pra cima da gente. Já alertamos a diretoria da escola e a própria polícia, mas não tem resolvido. Quando a polícia chega, eles já entraram. Toda vez é a mesma coisa.”

Uma das medidas solicitadas pelos pais e estudantes para evitar as confusões é a liberação da entrada na escola mais cedo. O portão, na Rua Major Claudiano, é aberto às 12h20 para a saída dos alunos do período da manhã e fechado entre cinco e dez minutos depois. Os que estudam à tarde precisam aguardar na calçada até 12h50, quando é reaberto. As aulas começam às 13 horas. “A gente manda o filho para escola pensando que estará seguro, mas temos tido esses problemas. Se entrassem mais cedo, ficariam mais preservados dentro da escola”, disse uma mãe que pediu para seu nome não ser divulgado.

A auxiliar de limpeza Adarmércia Silva, 45, trabalha o dia todo e não tem como levar o filho até a escola. O menino, de 12 anos, vai de van e chega 20 minutos antes das aulas começarem. Ele fica na calçada esperando o portão ser aberto e presencia as brigas. “Ele viu o colega levar o soco no olho e está traumatizado, teve até febre. Tem muitos maus elementos na porta do EETC. Pedi para os diretores abrirem os portões antes, mas eles não fizeram nada. Também não vemos policiamento lá”, disse a mãe.

Outros pais pedem reforço da Ronda Escolar. Os estudantes e vizinhos dizem que os policiais costumam passar de carro nas proximidades da instituição. Ontem no início da tarde, quatro policiais em duas viaturas fizeram ronda no local, horas depois de reclamações das mães serem veiculadas na Rádio Difusora AM, no programa Show da Manhã.

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