Os vereadores de Franca vão ficar no centro das atenções hoje. A Câmara se reunirá com a finalidade de votar dois projetos que beneficiam diretamente os agentes políticos da cidade. O pacotão pretende aumentar os salários dos vereadores, do prefeito, do vice e dos secretários municipais. A aprovação depende da maioria simples de votos dos parlamentares presentes no plenário.
A Câmara realiza quatro sessões por mês. O vereador tem um salário de R$ 4,8 mil. Sob a justificativa de que estão fazendo a correção das perdas causadas pela inflação, eles vão tentar aumentar os vencimentos em 28,34%. O reajuste só poderá entrar em vigor na próxima legislatura. A maioria dos vereadores disputará a reeleição no ano que vem.
Também será votada hoje a proposta que eleva o salário do próximo prefeito de Franca para R$ 20 mil. É o mesmo que ganha atualmente o prefeito de São Paulo, a maior cidade de País, Gilberto Kassab. Pelo projeto, o vice-prefeito e os secretários municipais vão passar a receber R$ 10 mil (veja quadro nesta página).
O pacotão de aumentos não encontra respaldo na sociedade. O ntem, o Comércio fez uma enquete com lideranças e trabalhadores locais. As críticas partiram de todos os setores. “Gostaria de lembrar que nem sempre os trabalhadores normais têm esses aumentos com tanta facilidade. Deve haver uma equidade entre os salários do poder público e dos trabalhadores em geral, dos pais de família, daqueles também que são servidores diretos da Prefeitura”, comentou o bispo da Diocese de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini.
Fernando Campos, presidente da Associação das Entidades Assistenciais de Franca, disse que a população não pode aceitar os aumentos propostos pelos políticos. “Embora seja para a próxima gestão, mesmo assim eu acho que deve seguir o que é normal, o que todo mundo tem.” O presidente da Acif, José Alexandre do Carmo do Jorge, também fez comentário contrário. “Eu nunca gostei de Câmara legislando sobre salário. Tinham que padronizar. Franca paga isso, uma cidadezinha que tem 5 mil habitantes paga menos, uma cidade maior paga mais. Os políticos fazem as leis conforme lhes convêm.”
O bancário Antônio Teixeira de Andrade comparou sua categoria com os políticos para repudiar os aumentos. “É um absurdo. Eles já ganham bem e, para nós que somos assalariados, é complicado. Temos que fazer uma greve, algo um pouco mais complicado, para conseguir um salário melhor.” Para o caminhoneiro João Vianes Lemos, os vereadores deveriam se preocupar em apresentar propostas para beneficiar a população em vez de tentar aumentar os próprios salários. “O que eles ganham já está para lá de bom. E eles ainda querem aumento?”. O comerciante Tadeu Lopes tem opinião semelhante. “Eu não acho justo porque eles trabalham pouco e querem receber mais. Seria certo eles trabalharem mais e receber menos.”
A votação dos projetos propondo o aumento nos salários dos políticos está marcada para as 14 horas desta quinta-feira no plenário da Câmara.

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