O prazo para a apresentação de propostas para o leilão foi aberto há 50 dias. Logo no primeiro dia, ao ver a informação nas páginas do Comércio, o empresário Clóvis Ludovice correu para o Cemitério da Saudade. Às 7 horas, já estava vistoriando o terreno que pretendia arrematar. É o lote 21 da quadra 2. Ele é o primeiro do lado direito de quem entra pelo portão principal. Fica perto de um tanque usado pelos funcionários e que deverá ser derrubado para dar lugar a uma fonte.
Na manhã de ontem, Clóvis e a mulher Maria Tereza se sentaram no primeiro banco da capela onde aconteceu o leilão. Acompanharam quietos as ofertas feitas para os outros túmulos. Quando chegou a vez do lote de desejo, ela se encarregou de dar os lances e mostrou que estava mesmo disposta a fazer o arremate.
Maria Tereza e Roque Granero travaram uma disputa acirrada. Os lances para cobrir as propostas do concorrente nunca eram inferiores a R$ 1 mil. Chegaram a aumentar os valores em R$ 2 e R$ 5 mil. A mulher se levantou e tomou água para se acalmar. Granero arrastou a briga por cerca de dez minutos. Sua última oferta foi R$ 60 mil. Maria Tereza acabou com o leilão ao oferecer R$ 65 mil. “Vim com o propósito de comprar esta sepultura. Não queria outra. Já vim no clima de um leilão. Vim preparada para uma disputa. Estava disposta a oferecer até R$ 200 mil.”
A família pretende construir um mausoléu no local e já contratou um arquiteto para elaborar o projeto. Tão logo a Prefeitura libere, as obras serão iniciadas. “Foi um decisão tomada com antecedência muito grande. É aquilo, é procurar um lugarzinho para o descanso eterno”, comentou Clóvis Ludovice.
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