Não faz muito tempo, a escola era local de estudo e, principalmente, de tranquilidade para todos. Alunos, professores e funcionários conviviam em harmonia. Havia respeito mútuo. Até mesmo a convivência verbal e física entre os estudantes acontecia de forma pacífica. Dificilmente ocorria uma agressão mais forte, quer por meio de palavras ou fisicamente.
O próprio ambiente escolar contribuía para o entrelaçamento. Falava-se baixo na sala de aula. O tom de voz soava normal pelos corredores. Expressar-se um pouco mais alto ficava reservado para o pátio. Alguns gritos aconteciam somente na quadra de educação física. Agora, a escola inteira virou um lugar ensurdecedor. Todo mundo berra ao mesmo tempo. E ninguém tem razão.
Provavelmente o modo de vida atual contribui para este burburinho demasiado nas escolas. A criança de hoje não dispõe de espaço físico para se exercitar. Não corre nem grita em casa ou na rua. A
criançada e os adolescentes ficam praticamente estáticos, absorvendo as mais daninhas formas de informações videofônicas. O resultado é esSe que se vê no meio educacional.
De tempos para cá tudo degringolou. Não importa qual seja o espaço escolar. Tanto a escola pública, quanto a particular, tornou-se palco das mais diversas agressões. Claro está que as estatísticas apontam maior violência para os lados do ensino oficial. No entanto, as desinteligências estão presentes proporcionalmente nas duas modalidades escolares.
A diferença fica apenas no registro das ocorrências. Por ter menos alunos, a escola particular contorna mais os transtornos intramuros. Já na rede pública, tudo explode e vem a público. Isso se dá devido à excessiva quantidade de estudantes, podendo juntar também a desestruturada assistência dos pais e contando ainda com o assistencialismo desmedido do Estado.
A situação em que a integridade física e psicológica de uma pessoa passa a ser ameaçada constantemente se instalou na escola. Noutras palavras, pela proximidade quântica de vivência entre o próprio lar e a instituição escolar, o perigo está ao lado. Alunos e professores estão à deriva. Além da ocorrência de baixa aprendizagem no meio, a violência campeia solta.
Recentes fatos comprovam o desarranjo educacional de forma insofismável. Um menino de cinco anos foi estuprado por um colega no banheiro de uma escola, em Franca. Outro aluno atirou na professora em plena sala de aula, em São Caetano do Sul. Na sequência, disparou a arma contra si mesmo, vindo a morrer posteriormente.
As duas ocorrências de violência estudantil ilustram casos extremos, entretanto, nem tão isolados assim, apesar de não haver precedentes históricos para estes acontecimentos. De toda forma, entre um fato e o outro, fica à mostra uma fissura social latente e efervescente, que muitos fingem não ver. Fica mais fácil assim!
Antônio Araújo
Professor de Redação - tonin.palavras@uol.com.br
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