O resultado do levantamento sobre as condições de nossos museus, feito pelo Sisem (Sistema Estadual de Museus), órgão ligado à Secretaria Estadual da Cultura, não deveria surpreender ninguém. Os vários problemas apontados são o retrato fiel do estado de abandono em que vivem esses espaços. Um abandono que não deve ser reputado apenas ao poder público. A despeito da falta de investimento, de seu pouco interesse e de sua má vontade para com a história e a cultura, é preciso entender também que as pessoas atualmente estão mais dispostas aos shoppings, shows, bares e outras atividades de lazer e entretenimento mais dinâmicas e atrativas.
Mas não era para menos. Fora dos grandes centros os museus continuam enfadonhos, sem graça e pouco atrativos. Inertes e exageradamente expositivos, não interagem com seus visitantes, nem os surpreendem. Nessa mesmice, não fazem mais do que corroborar a velha expressão ‘virar peça de museu’, atribuindo o caráter de velharia a tudo o que ali se expõe.
Em uma sociedade narcisista, consumista e bastante individualizada, que valoriza cada vez mais a novidade, a juventude e a inovação, a história acaba se perdendo, ou se diluindo em peças que não dizem nada além de sua própria presença física, muitas vezes descontextualizada em um ‘passadismo’ sem sentido para os olhares contemporâneos.
Os números são significativos. Para uma região que abriga cerca de 800 mil pessoas, o número mensal de visitantes não passa de 10 mil por mês, como mostra reportagem publicada pelo Comércio na quinta-feira, 22/09. Se desconsiderarmos o Museu Casa de Portinari, na pequena Brodósqui, reconhecido nacionalmente, a visitação de nossos outros museus não alcança 2 mil visitantes por mês, um número insignificante diante do potencial da região.
Diante desse cenário, é preciso repensar nossos museus, investir neles, dar-lhes nova vida. Atualmente, um museu precisa de movimento, luz e animação. É necessário criar um ambiente propício, que estimule a interatividade e faça do visitante não apenas um observador, mas também um partícipe daquela aventura do conhecimento.
Até mesmo as visitas escolares, geralmente as mais assíduas, perdem um pouco o sentido se não houver um trabalho que modernize esses museus e os torne atraentes diante de crianças e jovens já tão acostumados à ficção científica, aos jogos virtuais e a todos as outras possibilidades da internet e das tecnologias de comunicação a distância.
Para além dos prazeres imediatos que o mundo atual proporciona, todos eles legítimos e bastante agradáveis, há também que se ter uma preocupação com a história e com o conhecimento. Seria bom aproveitar o ineditismo desse levantamento para dar a volta por cima. Afinal, como diz um velho ditado, ‘o povo que não conhece sua história tende a repeti-la’. E nossa história não é assim tão maravilhosa.
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