Nunca Franca vendeu tanto café para outros países como nos últimos oito meses. De janeiro a agosto deste ano, a cidade exportou 14,5 mil toneladas da commodity, um volume 83% maior que no mesmo período do ano passado. Também nunca os cafeicultores lucraram tanto com a venda. Até agosto, as exportações de café haviam movimentado US$ 48,2 milhões, mais que o dobro do ano passado. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O bom momento dos negócios internacionais de café aumentou o peso do produto agrícola na balança comercial francana. Hoje, de cada US$ 4 vindo das exportações, US$ 1 já é do café. O calçado continua sendo o produto que mais traz receitas do exterior para Franca - US$ 53,6 milhões nos primeiros oito meses de 2011, cerca de 30%.
A explosão dos números das exportações de café é resultado de um conjunto de fatores que vão desde dificuldades climáticas enfrentadas por outros centros produtores até o aumento do consumo em todo o mundo.
Há quatro anos, a Colômbia sofre com o esgotamento de suas lavouras e a falta de condições climáticas favoráveis, o que afetou diretamente a produção do país e, consequentemente, as exportações. Segundo dados da Federação de Produtores de Café Colombiana, só no mês de agosto deste ano, as exportações caíram 38%. Sem a concorrência de outros produtores, o produto brasileiro ganhou mercado. “Hoje vendo para toda a Europa, principalmente, para a Alemanha, Itália e França, mercados antes dominados pela Colômbia”, disse Flávia Lancha, proprietária da Labareda Cafés Especiais, que tem 95% da sua produção de 25 mil sacas voltado ao mercado externo.
Outro fator que contribuiu para o aumento das exportações de café em Franca foi a melhoria da qualidade do grão aqui produzido. “Ao contrário dos produtores de outros centros exportadores do País, na região de Franca os cafeicultores estão investindo cada vez mais na produção para melhorar a qualidade dos grãos e conquistar novos mercados. Agora já começam a colher os frutos”, disse João Toledo, presidente da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Pecuaristas) da região de Franca, em abril. Na cidade, de acordo com o IBGE, existem 346 propriedades produzindo o grão.
O consumo mundial de café também cresceu. Segundo dados da OIC (Organização Internacional do Café), por ano, o consumo da bebida avança, em média, 4,5%. A previsão para este ano é que sejam consumidas 134,8 milhões de sacas. “Estamos começando a fazer negócio também com países da região do Leste Europeu, que antes consumiam muito pouco. O Japão também vem ampliando a compra do produto”, disse Flávia.
Com a baixa produção mundial e o aumento da demanda, o preço negociado pela saca do café no mercado exterior também subiu. No final do ano passado, a saca de 60 kg girava entre R$ 250 e R$ 300. Agora já ultrapassou a casa dos R$ 500.
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