Números do crack no interior paulista


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O crack é a droga ilícita mais consumida nos municípios do Estado de São Paulo. O álcool, por sua vez, é a droga lícita mais presente

Agora é oficial. Aquilo que a imprensa regional vinha martelando ganha confirmação por meio de relatório divulgado esta semana pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas da Assembléia Legislativa de São Paulo. O crack é a droga ilícita mais consumida nos municípios do Estado de São Paulo. O álcool, por sua vez, é a droga lícita mais presente.

O documento, que deve ser consulta obrigatória em qualquer ação de política pública sobre o assunto no Interior do Estado, confirma que o crack avançou nos últimos anos de tal forma que desbancou, no ranking das drogas ilícitas, a cocaína e a maconha, que antes eram mais presentes. Outra comprovação é de que o tráfico e o consumo de crack atingem todas as regiões do Estado.

Diagnóstico
As informações baseiam-se em respostas dadas pelas prefeituras de 325 municípios paulistas que responderam a questionário proposto com o objetivo de mapear a intensidade do problema do crack e das demais drogas no Estado de São Paulo. Esses municípios correspondem a 76% da população do Estado.
‘É o primeiro levantamento do gênero em São Paulo, que poderá ser disponibilizado para os próprios municípios, usado nas escolas, e principalmente servirá de base para a que o Parlamento exerça o seu papel de fiscalizador e formule propostas, no sentido de uma ação integrada dos governos municipais, estadual e federal’, afirma o coordenador da frente, deputado estadual Donisete Braga (PT).
Braga diz que a intenção é reavaliar, periodicamente, a situação das drogas. “Isso vai possibilitar um acompanhamento da situação, verificando aumento, diminuição ou estabilidade no número de dependentes, para a construção de uma política pública eficiente”.
O deputado Orlando Bolçone (PSB) afirma que os CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) são em número insuficiente e não funcionam 24 horas por dia. Olimpio Gomes (PDT) diz que há omissão em relação à segurança pública. “A atuação policial não existe nas cracolândias do centro da capital nem nas cracolândias que estão se regionalizando. O micro-tráfico atua com total omissão das polícias nessas áreas, que se tornaram território livre”, denunciou.

Os dados
Dos 325 municípios pesquisados, apenas 12% recebem ajuda financeira do governo federal e outros 5% do governo estadual. Os leitos públicos são insuficientes para o tratamento hospitalar de dependentes químicos e o índice de reincidência é superior a 50%. Também chama a atenção a entrada de drogas sintéticas no Interior do Estado. Elas foram citadas por cidades das regiões de Ribeirão Preto (4%), Bauru (3%) e Sorocaba (2%), coincidência ou não três grandes centros universitários do Estado.
O governo federal deve lançar, na primeira semana de outubro um programa nacional de combate ao crack e outras drogas. A frente paulista prepara-se para reivindicar recursos no valor de R$ 200 milhões para o combate ao crack e outras drogas na discussão do Plano Plurianual (PPA) do Estado para o quadriênio 2012-2015.
Para o deputado Braga, apesar dos dados preocupantes e das dificuldades, as perspectivas são positivas no sentido de se estabelecer um diálogo com os municípios e integração entre os governos federal e estadual para que haja investimentos e políticas públicas de enfrentamento do problema.

Rede
Criar uma rede composta por vereadores de todos os municípios paulistas para atuar em conjunto com a Assembleia Legislativa e instalar conselhos municipais de políticas sobre álcool e droga, foram apontadas como ações importantes para conter o avanço do uso de crack no Estado, em audiência pública sobre o tema, na quarta-feira, em São Paulo.
As ações foram endossadas pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo, por meio de seu presidente Sebastião Misiara, e pela Associação Paulista de Municípios, representada por seu presidente, Marcos Monti. Os representantes dos municípios, assim como o prefeito de Porto Feliz, Cláudio Maffei, destacaram que os governos municipais têm responsabilidade na prevenção e assistências aos usuários de drogas, mas não podem realizá-la sozinhos, apenas com seus recursos financeiros. “É preciso que o governo do Estado mobilize a Polícia Militar, porque é necessária a repressão ao tráfico; que também a União participe com recursos e projetos e que haja um trabalho coordenado”, reivindicou Monti.

Observatório
Outro documento que é referência nesse assunto foi produzido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) em abril deste ano. O Observatório do Crack, na internet, disponibiliza aos gestores dados detalhados sobre a situação do crack e outras drogas em grande parte dos municípios brasileiros. Segundo pesquisa realizada pela entidade em 2010, 3.950 cidades já apresentavam problemas relacionados ao consumo e circulação de drogas.

Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br

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